
Me sinto compelido a falar de mais um assunto do momento. Mentira. Não me sinto compelido a nada. Até porque não gosto de eleições. Putz… menti de novo. Não gosto é do circo que as campanhas eleitorais viraram, e nem das caras estampadas nestas campanhas. Elas são mentirosas. As campanhas e os donos das caras. O fato é que tenho escrever alguma coisa para atualizar essa bagaça de blog e estou tentado fazer um texto engraçadinho. Eu sou patético. Mas se tratando de eleições, o que não é?
O governo faz propagandas para que nós votemos conscientes nas eleições. Faz sentido, até porque uma pessoa não consegue votar quando está inconsciente. E é importante votar. É obrigatório. Se eu não conseguir votar porque estive inconsciente vou ser punido. Afinal, dependendo do motivo de estar desacordado, não tenho uma justificativa plausível para ter faltado. Também não tenho muitos motivos para ficar inconsciente. Coma alcoólico? Não bebo. Desmaio? Sou saudável, apesar de sedentário. Não tenho problemas de pressão nem nada do tipo. Acidente? Melhor não…
O único modo de eu não conseguir votar por estar desacordado é dormir o dia inteiro. Eu gostaria disso, mas essa desculpa não cola. Então tenho que sair de casa no meu dia de descanso, enfrentar trânsito, boca de urna (é crime, não é?) e filas. Tudo porque sou obrigado a mostrar cidadania em um país democrático depois de uma campanha patética que não me mostrou nada útil. Eu sou O-B-R-I-G-A-D-O. Talvez eu até levasse mais numa boa se antes da minha vez não fosse sempre aquela tiazinha que tem problemas para mexer até no controle remoto da televisão. E a tia fica lá um bom tempo… Vinte minutos para ela conseguir votar no Paulo Maluf. Sim, “O CARA” que acha que tudo bem estuprar, desde que não mate. Mas quem pode culpar a tia, já que ela não sabe nem mudar canal da TV?
Dia de eleições tem “lei seca”. Este ano, menos em São Paulo e no Rio. Será proibido o comércio de bebidas alcoólicas durante o dia das votações. Eu não costumo beber, não gosto muito de bebidas e entendo a razão de eles vetarem a venda delas. Claro, nada mais justo. Depois que você sai da urna e percebe que merda nenhuma vai mudar depois da sua odisséia que terminou logo após a tiazinha descobrir como se vota, a única vontade que se tem é a de ir para um bar encher a cara. Imagine como seria tanta gente bêbada? Aí o Brasil iria conseguir a proeza de ser mais zona do que já é. SP e RJ resolveram tentar a sorte e liberaram a bebida. Eu tenho medo… Mas também, com o caos do trânsito em São Paulo e a violência urbana no Rio de Janeiro, encher a cara para levar tudo na esportiva acaba virando até uma obrigação.
Tem gente que diz que quem não vota ou até mesmo quem anula o voto não possui direito nenhum de reclamar de quem foi eleito. Peraí… Quer dizer que se eu não votar em alguém eu não tenho direito de contestar, em um país democrático, o mau uso do MEU dinheiro, que eu sou gentilmente obrigado a ceder para ele através de impostos? Mas e se o motivo de eu não ter votado nele ou em qualquer outro é porque não tinha ninguém realmente bom o bastante para merecer minha confiança? Não sou eu que, querendo ou não, vou pagar o salário dele? Eu sei que o candidato eleito não vai fazer nem metade do que vomitou um mês inteiro no meu ouvido. Então, que direito superior eu tenho de reclamar se fui eu mesmo, sabendo de tudo isso, que coloquei ele lá?
O filósofo francês Joseph De Maistre disse que cada povo tem o governo que merece. Existe um provérbio que diz que a voz do povo é a voz de Deus. Se eu for levar em consideração as duas máximas ou eu vou acabar duvidando da existência de Deus ou chegar a conclusão de que a “massa” é burra mesmo. Faço parte da massa burra. E eu sou obrigado a participar deste circo, sou obrigado a votar. Dizem que meu voto vale ouro e que decide o destino do nosso país. Bom, até agora não decidiu nada, já que todas as pessoas em quem eu resolvi votar perderam. Talvez eu vote em quem vai ganhar para me sentir mais importante. No meio desta grande batalha de marketing, tanto faz mesmo.
Aliás, campanhas eleitorais deveriam mesmo se chamar “campanhas de marketing”. Atualmente (?), não ganha a pessoa mais honesta e com as melhores intenções, mas quem tem o melhor texto elaborado pelo assessor de marketing. Quem tem o single mais grudento, quem tem o melhor fotógrafo, quem tem mais espaço no magnífico e equilibrado horário gratuíto…
Me sinto compelido a ser direto: As campanhas eleitorais e seus candidatos me dão cada vez mais nojo. A situação toda parece a piada fracassada de um palhaço sujo e maltrapilho em cima de um palco improvisado em um boteco de quinta categoria onde o banheiro tem as privadas entupidas e transbordando e o local todo fede a mijo. É só ligar a TV para sentir náuseas. É só andar na rua, ver porta-bandeiras, caminhões com música e panfletos inúteis forrando o chão para ficar irritado. Imagine só a contradição que seria ver vários panfletos contendo o nome de um candidato do partido VERDE sujando as rua da cidade. Você duvida? Eu não.
Já expressei boa parte da minha opinião. Amanhã (na verdade hoje, estou escrevendo isso à 1 hora da madrugada) inevitavelmente estarei lá, exercendo meu poder de cidadania e liberdade.
Obrigado.
Você falou do PV, que seria uma contradição ver as ruas com panfletos de candidatos “verdes”… Pois, se passasse na esquina da Av. Brasil com a Rebouças, onde fica o escritório do candidato Penna, você veria a contradição materializada. E isso é o foda, pois alguns anos atrás o PV era visto (pelo menos, por mim) como uma boa opção. Hoje, são todos iguais – não importa se grandes ou nanicos. A disputa, como você bem falou, é para ver qual dos candidatos tem a melhor campanha, qual deles liga primeiro na sua casa para pedir voto… O Kassab, que não fez uma administração tão meia-boca, se transformou nas eleições. Até sorrisinho tava dando. A campanha de conscientização do TSE foi ótima, criativa, conscientizadora mesmo! Mas do que adiante se o nível dos candidatos está aquém? Dos milhares de candidatos a prefeito de São Paulo, fiquei entre dois (ou melhor, entre duas) e fui lá dar meu voto compulsoriamente. Não sei se foi a melhor opção, mas votei com racionalidade.
Depois de um escrever um texto deste, você certamente votou CONSCIENTE!
Há uns dois anos ouvi falar que haveria uma reforma no formato do horário político, que deixaria tudo mais equilibrado e menos circense. Bom até agora nada, mas acredito que essa seria um medida importante para melhorar o nível das campanhas e da postura dos políticos nestas. O Brasil ainda vai ter que penar muito para ser considerado realmente democrático e civilizado…
Pô meu, que dramalhão pra reclamar das eleições
Mas tá certo, que cada eleição que passa, o negócio fica parecendo mais com um circo mesmo. Mas parte disso é da cultura do brasileiro, que leva tudo na brincadeira, e não acho que vai mudar. Pra mim, votar foi tranqüilo, fui na escola aqui pertinho, sem filas, votei em menos de 2 minutos e vim embora… e o meu candidato ganhou… hehehe!
Abraço cara!
Ah, e valeu pelo comentário, bom saber que você está adorando os últimos conteúdos do meu blog… hahahahahaha!
Saudações plebeu Brneo.
Doom concede a você a honra de postar no seu blog.
Devo dizer que o seu texto é interessante, mas discordo radicalmente sobre sua opinião. Os candidatos nos quais eu voto geralmente não ganham (ou não vão para o segundo turno) e acabo sendo obrigado a votar no “menos pior”.
Entretanto nada é tão bom quanto a sensação de ter a consciência tranquila, de saber que fiz minha parte. E quando falo de fazer a minha parte não falo só de votar, mas de tentar convecer as pessoas ao meu redor a não votarem em corruptos e populistas (por mais difícil que seja).
Hoje em dia, eu acredito que se o voto não fosse obrigatório isso traria maiores benefícios ao Brasil (pois os candidatos teriam que se esforçar muito para levar o povo as urnas, e quem é desanimado ou não se importa com política não votaria em qualquer um).
Enfim, tem uma frase de Ghandi que ilustra muito bem o pensamento que todos deveriam ter:
“Seja a mudança que você deseja ver no mundo”.
Tenho a honra de saber que o grande soberano da Latvéria reservou benevolentemente alguma atenção ao meu refúgio solitário.
Na verdade, Doom, eu concordo com você. Claro, o texto contém muito da minha opinião, mas intenção dele foi justamente ironizar a situação e por isso ele é um tanto dramático.
Como você, eu acredito em fazer minha parte e ter a consciência limpa, coisa que não deixei clara no texto. Mas não era esta a intenção mesmo.
O que pode-se ver claramente no post é que eu sou a favor do voto facultativo, que acredito que a anulação de voto é um direito tão legítimo quanto escolher um candidato e que considero a campanha eleitoral uma palhaçada sem tamanho, desiquilibrada, elitista e circense.
Eu acredito na democracia e em fazer a coisa certa. Como o cara que me inspirou e é dono da Fortaleza original, faço minha parte pela “liberdade e justiça” e isso de certo modo é até o motivo pela qual escolhi qual carreira seguiria. Às vezes, o sistema existente e o modo como as coisa se desenrolam desanimam, mas isto não é motivo para deixar de fazer a coisa certa.
Agradeço seu comentário e espero poder ver futuramente opiniões abalizadas suas em outros humildes posts.