Arquivo para Outubro 5th, 2008

“Quatro anos andando em círculos”…

Me sinto compelido a falar de mais um assunto do momento. Mentira. Não me sinto compelido a nada. Até porque não gosto de eleições. Putz… menti de novo. Não gosto é do circo que as campanhas eleitorais viraram, e nem das caras estampadas nestas campanhas. Elas são mentirosas. As campanhas e os donos das caras. O fato é que tenho escrever alguma coisa para atualizar essa bagaça de blog e estou tentado fazer um texto engraçadinho. Eu sou patético. Mas se tratando de eleições, o que não é?

O governo faz propagandas para que nós votemos conscientes nas eleições. Faz sentido, até porque uma pessoa não consegue votar quando está inconsciente. E é importante votar. É obrigatório. Se eu não conseguir votar porque estive inconsciente vou ser punido. Afinal, dependendo do motivo de estar desacordado, não tenho uma justificativa plausível para ter faltado. Também não tenho muitos motivos para ficar inconsciente. Coma alcoólico? Não bebo. Desmaio? Sou saudável, apesar de sedentário. Não tenho problemas de pressão nem nada do tipo. Acidente? Melhor não…

O único modo de eu não conseguir votar por estar desacordado é dormir o dia inteiro. Eu gostaria disso, mas essa desculpa não cola. Então tenho que sair de casa no meu dia de descanso, enfrentar trânsito, boca de urna (é crime, não é?) e filas. Tudo porque sou obrigado a mostrar cidadania em um país democrático depois de uma campanha patética que não me mostrou nada útil. Eu sou O-B-R-I-G-A-D-O. Talvez eu até levasse mais numa boa se antes da minha vez não fosse sempre aquela tiazinha que tem problemas para mexer até no controle remoto da televisão. E a tia fica lá um bom tempo… Vinte minutos para ela conseguir votar no Paulo Maluf. Sim, “O CARA” que acha que tudo bem estuprar, desde que não mate. Mas quem pode culpar a tia, já que ela não sabe nem mudar canal da TV?

Dia de eleições tem “lei seca”. Este ano, menos em São Paulo e no Rio. Será proibido o comércio de bebidas alcoólicas durante o dia das votações. Eu não costumo beber, não gosto muito de bebidas e entendo a razão de eles vetarem a venda delas. Claro, nada mais justo. Depois que você sai da urna e percebe que merda nenhuma vai mudar depois da sua odisséia que terminou logo após a tiazinha descobrir como se vota, a única vontade que se tem é a de ir para um bar encher a cara. Imagine como seria tanta gente bêbada? Aí o Brasil iria conseguir a proeza de ser mais zona do que já é. SP e RJ resolveram tentar a sorte e liberaram a bebida. Eu tenho medo… Mas também, com o caos do trânsito em São Paulo e a violência urbana no Rio de Janeiro, encher a cara para levar tudo na esportiva acaba virando até uma obrigação.

Tem gente que diz que quem não vota ou até mesmo quem anula o voto não possui direito nenhum de reclamar de quem foi eleito. Peraí… Quer dizer que se eu não votar em alguém eu não tenho direito de contestar, em um país democrático,  o mau uso do MEU dinheiro, que eu sou gentilmente obrigado a ceder para ele através de impostos? Mas e se o motivo de eu não ter votado nele ou em qualquer outro é porque não tinha ninguém realmente bom o bastante para merecer minha confiança? Não sou eu que, querendo ou não, vou pagar o salário dele? Eu sei que o candidato eleito não vai fazer nem metade do que vomitou um mês inteiro no meu ouvido. Então, que direito superior eu tenho de reclamar se fui eu mesmo, sabendo de tudo isso, que coloquei ele lá?

O filósofo francês Joseph De Maistre disse que cada povo tem o governo que merece. Existe um provérbio que diz que a voz do povo é a voz de Deus. Se eu for levar em consideração as duas máximas ou eu vou acabar duvidando da existência de Deus ou chegar a conclusão de que a “massa” é burra mesmo. Faço parte da massa burra. E eu sou obrigado a participar deste circo, sou obrigado a votar. Dizem que meu voto vale ouro e que decide o destino do nosso país. Bom, até agora não decidiu nada, já que todas as pessoas em quem eu resolvi votar perderam. Talvez eu vote em quem vai ganhar para me sentir mais importante. No meio desta grande batalha de marketing,  tanto faz mesmo.

Aliás, campanhas eleitorais deveriam mesmo se chamar “campanhas de marketing”. Atualmente (?), não ganha a pessoa mais honesta e com as melhores intenções, mas quem tem o melhor texto elaborado pelo assessor de marketing. Quem tem o single mais grudento, quem tem o melhor fotógrafo, quem tem mais espaço no magnífico e equilibrado horário gratuíto…

Me sinto compelido a ser direto: As campanhas eleitorais e seus candidatos me dão cada vez mais nojo. A situação toda parece a piada fracassada de um palhaço sujo e maltrapilho em cima de um palco improvisado em um boteco de quinta categoria onde o banheiro tem as privadas entupidas e transbordando e o local todo fede a mijo. É só ligar a TV para sentir náuseas. É só andar na rua, ver porta-bandeiras, caminhões com música e panfletos inúteis forrando o chão para ficar irritado. Imagine só a contradição que seria ver vários panfletos contendo o nome de um candidato do partido VERDE sujando as rua da cidade. Você duvida? Eu não.

Já expressei boa parte da minha opinião. Amanhã (na verdade hoje, estou escrevendo isso à 1 hora da madrugada) inevitavelmente estarei lá, exercendo meu poder de cidadania e liberdade.

Obrigado.


 

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