Filme: Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)


“LeT’s pUt A sMiLe On ThAt FaCe!”

Quando os filmes do Batman dirigidos por Tim Burton sairam, primeiro em 1989 e a sequência em 92, apesar de todos os equívocos cometidos o Homem-Morcego recuperou em suas adaptações uma coisa que há muito tinha sido perdida: A atmosfera dark, sem “boiolices” (com o perdão do termo) e nem aquele exagero cômico e nonsense que era a série dos anos 60. Chegou o amaldiçoado Joel Schumacher para assumir as rédeas da direção da franquia e trouxe de volta o colorido e absurdos (BAT-CARTÃO DE CRÉDITO?! Ah, vá se lascar…) presentes nas encarnações de Adam West e Burt Ward, coisa que Batman e Batman Returns Tinham feito o favor de eliminar. O Cavaleiro das Trevas (irônico, trevas e os filmes do Schumacher não combinam) nos cinemas parecia morto.

No entanto, em 2005 estreou Batman Begins. Sem relação nenhuma com as produções anteriores, o longa dirigido pelo promissor Christopher Nolan conseguiu aquilo em que nenhum dos anteriores havia alcançado de fato: Trouxe a essência do Batman para a tela grande, mostrou o Morcego como ele é e o que ele representa. Eu não assisti este filme no cinema, apesar de ter esperado muito por ele. Perdi a chance de ver em grande estilo uma coisa que já nasceu ótima, mas que evoluiu para algo excelente. Begins foi um dos filmes que quando eu assisti me fez sorrir, me empolgar.

Três anos de uma espera que pareceu muito maior. Uma das campanhas de marketing mais bem feitas que eu já vi na minha vida (Jim Gondon me ligou! Quantos filmes fazem campanhas tão grandiosas e estimulantes?). Eis que ele estreou… Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). Assisti-o no segundo dia de exibição nacional (19/07) e devo dizer que ele fez jus a todo o “hype” criado, a toda a esperaça de presenciar algo gradioso que foi gerada.

Antes de continuar, devo deixar claro que não sou um crítico de cinema. Talvez algum dia eu me aventure por este ramo, mas não sou. Não tenho formação técnica, não fiz nenhum curso, não assisti clássicos o suficiente e, apesar de tentar ter uma visão crítica de tudo que é posto na minha frente, não tenho a pretensão de ser o dono da verdade, de apontar para algo como um juiz. Sou só um cara que gosta demais de cinema, que tem em lojas como a Americanas um parque de diversões (até acabar o dinheiro… aí é triste) e que curte muito HQs e uma boa leitura. Sou fã declarado do Batman, sua mitologia e seu “nêmesis”, o Coringa.

Pode-se dizer que TDK é um filme completo e vai além da simples proposta de ser um filme de super-herói (alguns vão dizer que o Batman não é “super”. Bom, vamos deixar isso para outro post), fugindo dos clichês do gênero. É uma produção que desperta reação nos espectadores, não sendo como muitos “blockbusters” atuais, tão naturais quanto baunilha. Há ação de qualidade, drama, conflitos, questionamentos, um ar tenso e uma sensação de não saber bem o que esperar em seguida. Uma imprevisibilidade típica e trazida de modo paupável do Palhaço do Crime.

O Coringa. Esqueça o Joker caricato de Jack Nicholson, Heath Ledger conseguiu calar a boca muita gente que chiou quando ele foi escolhido para o papel e mostrou seu valor e entrega como ator. É uma pena que Ledger não esteja vivo para receber toda a ovação merecida e usufruir dos frutos desta atuação que com certeza iria elevar sua carreira a um patamar maior. Seu Coringa é sádico, cruel, psicótico, sarcástico, calculista, desiquilibrado, genial. Os trejeitos, a voz, tudo contribui para realmente crer que ele realmente é, como afirmou, um agente do caos. A busca por escancarar sua idéia da natureza humana e provar a tênue linha que existe entra a sanidade e a loucura, a insanidade fria, calculada e ao mesmo tempo espontânea e inconsequente remetem às melhores histórias do Palhaço e é fácil perceber influências como A Piada Mortal e The Dark Knight Returns.

O Coringa de TDK conta versões diferentes da origem de suas cicatrizes (sua tranformação). Não fica claro se ele faz isso apena para uma “dramaticidade” da situação ou realmente não sabe de onde vem. Nas HQs, ele é considerado como não tendo uma personalidade fixa, possuindo uma série de personas e mudando de tempos em tempos. Essa boa idéia do Coringa contando vários passados remete a uma passagem de A Piada Mortal:

Ledger fez um trabalho espantoso, digno do já tão falado Oscar póstumo, mas a performance dele não é a única brilhante do filme. O Harvey Dent de Aaron Eckhart é retratado de forma muito interessante e o resultado de sua transformação de “Cavaleiro Branco de Gotham” para Duas-Caras é espantoso, muito diferente e infinitamente melhor do que aquela tragédia ambulante do Tommy Lee Jones, que era simplesmente errado. O Two-Faces neste filme tem a frustração de ver seu valores postos a prova, a responsabilidade pelos seu atos em xeque e o que ele mais preza explodir.

Christian Bale mais uma vez é competente. Bruce Wayne tem os conflitos dos resultados de suas ações, a insegurança de não saber se está no caminho certo, o anseio por desejar uma vida melhor para si e para a cidade que jurou proteger. O Batman de Bale é soturno, ameaçador… é o Batman! Apesar das atenções, mais até por parte do público, estarem inevitavelmente voltadas para o Coringa, o Cruzado Encapuzado não fica de escanteio. Ele não é raso e sem ação como o de Keaton em 89 e proporciona um contraste interessante com seu adversário.

A voz cavernosa do Batman é muito boa, apesar de alguns não terem gostado. No filme, além da própria encenação do Bruce Wayne há uma ajudinha tecnológica (isso não é dito no longa, são informações complementares sobre o uniforme) para amplificar sua voz e torná-la assustadora. Nas HQs Wayne também muda de voz quando é o Batman e isso é citado em várias histórias. Eis um trecho de Batman & Filho (roteiro de Grant Morrison):

A mudança de uniforme faz muito sentido. Batman precisa de proteção para enfrentar os bandidos ao mesmo tempo que para fazer isso ele necessita de mobilidade. Agora ele tem mais liberdade para se movimentar e virar a cabeça, a armadura “transpira”.

Em entrevista ao Omelete, Bale fala sobre a melhora com a nova armadura:

Omelete – As filmagens deste filme estão mais pesadas do que Batman Begins?

Christian Bale – Não. Este é o meu terceiro filme com o Chris [Nolan, o diretor], o que já facilita bastante coisa. Mas o mais importante é que nós fizemos muitas mudanças na armadura, e agora consigo me mover muito mais facilmente. E isso é ótimo, pois passo muito mais tempo com ela, já que não temos mais a história de criação do personagem. A antiga, só de ficar de pé já me cansava.

Em certo momento do filme, o Batman usa lentes brancas na máscara. Isso é uma coisa que muitos fãs haviam pedido, mas os visores não fazem parte do visual “fixo” do Morcego. Ainda bem. A aparência pode ser muito legal nos quadrinhos, mas sem um propósito (como foi mostrado) é uma coisa muito desnecessária e não fica muito bem em um filme.

Na seqüência, Batman salva alguns reféns. Eu acredito que as tais lentes tenham contribuído no modo como ele é imaginado depois dos relatos destes. Um homem vestido de negro, com olhos brancos e brilhantes e que derruba várias pessoas com facilidade. O boca-a-boca de algo assim ajuda a dar uma atmosfera sobrehumana para o Batman. A culpa por algumas ações de uma pessoa no filme da qual que o Homem-Morcego acaba levando a responsabilidade também ajuda na fantasia popular de um morcego gigante impiedoso.

É desnecessário falar do Jim Gondon vivido por Gary Oldman. Substituindo a insossa Katie Holmes no papel de Rachel Dawes, Maggie Gyllenhaal traz tempero à personagem, fazendo-a ter uma presença que as limitações de Katie não conseguiram proporcionar. Maggie não é a atriz mais bonita, mas certamente é talentosa e, apesar de muito terem considerado sua performance a mais fraca de TDK, ela não quebra a corrente de boas atuações.

O roteiro é complexo e apesar de pequenos delizes, se desenvolve de forma bem amarrada nas duas horas e meia da película. Há cenas e frases marcantes, mas os diálogos não caem na imbecilidade. Um filme que aborda limites e a falta deles, TDK estabeleceu um novo marco para as produções baseadas em quadrinhos e mostrou que grandes franquias podem e devem ser sinônimos de bom conteúdo.

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“Onde ele consegue aqueles brinquedinhos?”

O Burger King dá uns brindes bem legais. Quando estreou Iron Man, eu peguei o Latinha e o Monge de Ferro. A qualidade dos brinquedos é bem melhor do que muitos caros por aí. Eles também lançaram uma promoção do Batman, e dessa vez eu peguei o Tumbler e o Batsinal.

O Cinemark também está com uma promoção de um copo bem estiloso, eu peguei ele também. Vão algumas fotos:

The Dark Knight

Pena que não dá para ver muito, mas o Tumbler ficou bem legal. Esse Batsinal poderia ter sido mais caprichado. Ele tem uma luz até que boa, mas não espere projetar um morcego na parede

Esse copo é muito detalhado. Além de uma arte legal, tem esse “busto” removível muito bem feito do Batman com o uniforme do Begins

Iron Man

O Monge poderia ser um pouco maior…

“I’m Iron Man”

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LEIA TAMBÉM!:

O Legado do Morcego

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4 Respostas para “Filme: Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)”


  1. 1 Fernando 21/07/2008 às 7:48 pm

    Você até pode não ser um crítico de cinema, mas é um especialista em Batman e histórias de super-homem. Dificilmente um “só” crítico de cinema conseguiria reunir tantas referências do personagem.

    Parabéns pelo texto! Parabéns pela visão crítica e a capacidade de reunir elementos que deram ainda mais qualidade ao seus conhecimentos.

  2. 2 Thiago 24/07/2008 às 1:29 am

    Putz, lembrei de você semana passada. Acredita que recebi um convite pra assistir à pré-estréia do Batman três dias antes de todo mundo mas não pude ir? foda, queria ter ido só pra ver se era verdade o que já se especulava lá fora… abrass

  3. 3 LiBia 17/09/2008 às 4:53 pm

    Bom, bom, muito bom, bom.

  4. 4 DIGITAL BAT 26/11/2008 às 4:59 am

    ÓTIMO TEXTO, PARABÉNS!


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