Arquivo para Julho, 2008

“Rapaiz… Tu bebestes, não foi?”

 

Mês passado entrou em vigor uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro que se tornou o terror dos motoristas que gostam de entornar umas e depois voltar para casa, serelepes e alegres dirigindo seus carros: A Lei 11.705, vulgarmente conhecida como “Lei Seca”. Tal regulamentação aperta o cerco contra aqueles que dirigem sob o efeito de bebidas alcoólicas, aplicando punições pesadas e intensificando a fiscalização. Muita gente gostou, muitas vidas foram salvas, muita gente odiou e muita gente perdeu dinheiro. O fato é que independente de uma lei mais severa, muitas vezes (sempre) uma coisa que é realmente uma obrigação, questão de bom senso, respeito ao próximo e lógica de auto-preservação é vista com total descaso, descrédito e negligência.

Esses dias eu assisti uma reportagem do SPTV que falava sobre a fiscalização da Lei Seca. Um rapaz, com seus 27 a 30 anos, sentado em um barzinho na hora do almoço, indagado pela repórter responde com a maior cara lisa sobre a possibilidade de ser pego na fiscalização e conseqüentemente multado em quase mil reais, correndo o risco de ter o carro apreendido, perder a carteira e até de ser preso: “Eu vou arriscar, né?” ao que a repórter pergunta “Hoje você já bebeu algumas cervejas, então?”, ele responde com um sorrisinho maroto: “Na verdade, já bebi muitas garrafas…”.

O problema aí é uma pessoa assumir tão prontamente o risco de estando alterada quimicamente se acidentar, ficar com seqüelas permanentes, se matar ou pior: Deixar seqüelas ou matar outro ser humano. Tudo porque o bonitinho não quis pedir um suco ou uma Coca-Cola, e sim várias garrafas de cerveja. Na boa, com todo o respeito que você merece, VÁ TOMAR NO CU. Aí você me pergunta… “Por que tão sério? Pra que tanto ódio nesse seu coraçãozinho?”… Ora, jovem padawan, estou apenas expressando minha opinião quanto ao assunto. Se a lei serve para punir aqueles que assumem a responsabilidade de matar outro ser humano, alguém que não tem nada a ver com eles e que tem uma família (ou mesmo não tendo), eu sou completamente a favor.

Segundo foi publicado na Folha de São Paulo, um balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo aponta redução de 63% no número de mortes por acidentes de trânsito após a vigência da nova lei. Este levantamento teve como base registros feitos em três unidades do IML (Instituto Médico Legal) instalados nas regiões sul, leste e centro – que atende também as regiões norte e oeste – da capital paulista. Também segundo a Folha 30 hospitais públicos estaduais da Grande São Paulo economizaram R$ 4,5 milhões nos primeiros 30 dias de em que a Lei Seca entrou em vigor, e isso devido à redução do número de vítimas de acidentes de trânsito provocados por motoristas alcoolizados que, segundo a matéria, caiu pela metade. A principal função da lei e da blitz não é estragar sua diversão, caro amigo pé-de-cana, mas conseguir resultados como este. E mais: se as pessoas não se tornam conscientes pelo puro e legítimo bom senso (para mim, a falta dele é o maior mal que assola a humanidade), nada melhor do que um pressãozinha para corrigir alguns “vícios” nocivos.

O comércio de cerveja sem álcool, que não é tão sem álcool assim, cresceu bastante. A bebida contém até 0,5% da substância contra os 5% das cervejas comuns. Já as vendas da tradicional caíram, assim como a clientela dos bares, sendo que agora estes recorrem a todo tipo de artifícios para manter os lucros, como inovar nos drinks não alcoólicos, disponibilizar algum tipo alternativo de transporte e até motoristas particulares. O mercado está em constante mudança e se adequando a novas situações. Hoje eu ouvi na CBN que uma opção seria também fazer convênios de bares com empresas de táxi, uma das opções de transportes que tendem a ser beneficiadas com as atuais fiscalizações, mas uma lei que regulamenta a profissão (não me lembro se é só aqui em São Paulo) impede que os taxistas dêem desconto em corridas, inviabiliza então o tal convênio. Está aí uma coisa que deveria ser revista pelas autoridades para ajudar sedimentação da Lei Seca, uma entre tantas medidas que precisam ser tomadas. Cito mais algumas:

Transporte Público - Para as pessoas que querem consumir bebidas com álcool e não gastar demais para voltar para casa ou não têm uma carona, essa é a escolha óbvia. Só que os ônibus têm má qualidade, não são todos que estão em perfeitas condições e a maioria das linhas não funciona de madrugada, na hora em que as pessoas costumam ir embora dos bares. Sem contar que, se de carro já é arriscado, a pé o perigo e a probabilidade de sofrer um assalto são bem maiores, o que leva ao próximo item;

Segurança Pública - Em metrópoles como São Paulo este é um assunto a parte. Renderia outro post enorme só falando disso. Aí não entra nem a segurança de um perfil específico de indivíduos, mas da população como um todo;

Campanhas de conscientização – Aquele “se for beber não dirija” que aparece nos comerciais de cerveja não é o suficiente. Brasileiro é um povo teimoso e um dos maiores problemas do país é falta de orientação adequada de modo extensivo. Talvez isso não devessem se limitar apenas a campanhas, mas integrar esta cultura de direitos e deveres ao ensino fundamental. Não sei como anda hoje em dia, mas uma matéria que focasse cidadania e atitudes conscientes deveria fazer parte do currículo escolar.

Provavelmente a lei vai se abrandar futuramente, mas com certeza está servindo com umas boas palmadas nessa criançada sapeca que não têm limites para nada. Beber pode ajudar a se soltar e “curtir”, mas é sensato pensar nos possíveis resultados dessa suposta diversão efêmera. Espero que pelo menos a fiscalização continue forte. O Brasil pode muito bem seguir o exemplo da Rússia, que também adotou uma lei de tolerância zero e no início deste mês (julho) decidiu que irá aumentar o limite para três decigramas de álcool por litro de sangue (metade do que era permitido antes por aqui), o que equivale a um copo de cerveja. Claro, este é o único exemplo de lá neste quesito que nós poderíamos seguir, já que os russos têm um dos piores índices de segurança no trânsito do mundo, com cerca de 33 mil pessoas mortas em acidentes do tipo em 2007 e quase metade desse número causado por motoristas bêbados.

Não é questão de as pessoas não terem o direito de beber, até porque isso elas têm. O caso é que direção e embriaguez não combinam. Logo, uma pessoa não tem direito nenhum em arriscar a vida de outros indivíduos. Quer se arriscar? Faça isso bebendo e se equilibrando sozinho na beira de um penhasco, mas certifique-se de que ninguém passa lá em baixo, tá? No mais, é bom saber que estão fazendo alguma coisa para punir pessoas imprudentes como esse cara aí:

Quer tirar as suas dúvidas sobre a lei anti-Jeremias? Essa matéria do G1 serve para isso.

 

 

Filme: Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)


“LeT’s pUt A sMiLe On ThAt FaCe!”

Quando os filmes do Batman dirigidos por Tim Burton sairam, primeiro em 1989 e a sequência em 92, apesar de todos os equívocos cometidos o Homem-Morcego recuperou em suas adaptações uma coisa que há muito tinha sido perdida: A atmosfera dark, sem “boiolices” (com o perdão do termo) e nem aquele exagero cômico e nonsense que era a série dos anos 60. Chegou o amaldiçoado Joel Schumacher para assumir as rédeas da direção da franquia e trouxe de volta o colorido e absurdos (BAT-CARTÃO DE CRÉDITO?! Ah, vá se lascar…) presentes nas encarnações de Adam West e Burt Ward, coisa que Batman e Batman Returns Tinham feito o favor de eliminar. O Cavaleiro das Trevas (irônico, trevas e os filmes do Schumacher não combinam) nos cinemas parecia morto.

No entanto, em 2005 estreou Batman Begins. Sem relação nenhuma com as produções anteriores, o longa dirigido pelo promissor Christopher Nolan conseguiu aquilo em que nenhum dos anteriores havia alcançado de fato: Trouxe a essência do Batman para a tela grande, mostrou o Morcego como ele é e o que ele representa. Eu não assisti este filme no cinema, apesar de ter esperado muito por ele. Perdi a chance de ver em grande estilo uma coisa que já nasceu ótima, mas que evoluiu para algo excelente. Begins foi um dos filmes que quando eu assisti me fez sorrir, me empolgar.

Três anos de uma espera que pareceu muito maior. Uma das campanhas de marketing mais bem feitas que eu já vi na minha vida (Jim Gondon me ligou! Quantos filmes fazem campanhas tão grandiosas e estimulantes?). Eis que ele estreou… Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). Assisti-o no segundo dia de exibição nacional (19/07) e devo dizer que ele fez jus a todo o “hype” criado, a toda a esperaça de presenciar algo gradioso que foi gerada.

Antes de continuar, devo deixar claro que não sou um crítico de cinema. Talvez algum dia eu me aventure por este ramo, mas não sou. Não tenho formação técnica, não fiz nenhum curso, não assisti clássicos o suficiente e, apesar de tentar ter uma visão crítica de tudo que é posto na minha frente, não tenho a pretensão de ser o dono da verdade, de apontar para algo como um juiz. Sou só um cara que gosta demais de cinema, que tem em lojas como a Americanas um parque de diversões (até acabar o dinheiro… aí é triste) e que curte muito HQs e uma boa leitura. Sou fã declarado do Batman, sua mitologia e seu “nêmesis”, o Coringa.

Pode-se dizer que TDK é um filme completo e vai além da simples proposta de ser um filme de super-herói (alguns vão dizer que o Batman não é “super”. Bom, vamos deixar isso para outro post), fugindo dos clichês do gênero. É uma produção que desperta reação nos espectadores, não sendo como muitos “blockbusters” atuais, tão naturais quanto baunilha. Há ação de qualidade, drama, conflitos, questionamentos, um ar tenso e uma sensação de não saber bem o que esperar em seguida. Uma imprevisibilidade típica e trazida de modo paupável do Palhaço do Crime.

O Coringa. Esqueça o Joker caricato de Jack Nicholson, Heath Ledger conseguiu calar a boca muita gente que chiou quando ele foi escolhido para o papel e mostrou seu valor e entrega como ator. É uma pena que Ledger não esteja vivo para receber toda a ovação merecida e usufruir dos frutos desta atuação que com certeza iria elevar sua carreira a um patamar maior. Seu Coringa é sádico, cruel, psicótico, sarcástico, calculista, desiquilibrado, genial. Os trejeitos, a voz, tudo contribui para realmente crer que ele realmente é, como afirmou, um agente do caos. A busca por escancarar sua idéia da natureza humana e provar a tênue linha que existe entra a sanidade e a loucura, a insanidade fria, calculada e ao mesmo tempo espontânea e inconsequente remetem às melhores histórias do Palhaço e é fácil perceber influências como A Piada Mortal e The Dark Knight Returns.

O Coringa de TDK conta versões diferentes da origem de suas cicatrizes (sua tranformação). Não fica claro se ele faz isso apena para uma “dramaticidade” da situação ou realmente não sabe de onde vem. Nas HQs, ele é considerado como não tendo uma personalidade fixa, possuindo uma série de personas e mudando de tempos em tempos. Essa boa idéia do Coringa contando vários passados remete a uma passagem de A Piada Mortal:

Ledger fez um trabalho espantoso, digno do já tão falado Oscar póstumo, mas a performance dele não é a única brilhante do filme. O Harvey Dent de Aaron Eckhart é retratado de forma muito interessante e o resultado de sua transformação de “Cavaleiro Branco de Gotham” para Duas-Caras é espantoso, muito diferente e infinitamente melhor do que aquela tragédia ambulante do Tommy Lee Jones, que era simplesmente errado. O Two-Faces neste filme tem a frustração de ver seu valores postos a prova, a responsabilidade pelos seu atos em xeque e o que ele mais preza explodir.

Christian Bale mais uma vez é competente. Bruce Wayne tem os conflitos dos resultados de suas ações, a insegurança de não saber se está no caminho certo, o anseio por desejar uma vida melhor para si e para a cidade que jurou proteger. O Batman de Bale é soturno, ameaçador… é o Batman! Apesar das atenções, mais até por parte do público, estarem inevitavelmente voltadas para o Coringa, o Cruzado Encapuzado não fica de escanteio. Ele não é raso e sem ação como o de Keaton em 89 e proporciona um contraste interessante com seu adversário.

A voz cavernosa do Batman é muito boa, apesar de alguns não terem gostado. No filme, além da própria encenação do Bruce Wayne há uma ajudinha tecnológica (isso não é dito no longa, são informações complementares sobre o uniforme) para amplificar sua voz e torná-la assustadora. Nas HQs Wayne também muda de voz quando é o Batman e isso é citado em várias histórias. Eis um trecho de Batman & Filho (roteiro de Grant Morrison):

A mudança de uniforme faz muito sentido. Batman precisa de proteção para enfrentar os bandidos ao mesmo tempo que para fazer isso ele necessita de mobilidade. Agora ele tem mais liberdade para se movimentar e virar a cabeça, a armadura “transpira”.

Em entrevista ao Omelete, Bale fala sobre a melhora com a nova armadura:

Omelete – As filmagens deste filme estão mais pesadas do que Batman Begins?

Christian Bale – Não. Este é o meu terceiro filme com o Chris [Nolan, o diretor], o que já facilita bastante coisa. Mas o mais importante é que nós fizemos muitas mudanças na armadura, e agora consigo me mover muito mais facilmente. E isso é ótimo, pois passo muito mais tempo com ela, já que não temos mais a história de criação do personagem. A antiga, só de ficar de pé já me cansava.

Em certo momento do filme, o Batman usa lentes brancas na máscara. Isso é uma coisa que muitos fãs haviam pedido, mas os visores não fazem parte do visual “fixo” do Morcego. Ainda bem. A aparência pode ser muito legal nos quadrinhos, mas sem um propósito (como foi mostrado) é uma coisa muito desnecessária e não fica muito bem em um filme.

Na seqüência, Batman salva alguns reféns. Eu acredito que as tais lentes tenham contribuído no modo como ele é imaginado depois dos relatos destes. Um homem vestido de negro, com olhos brancos e brilhantes e que derruba várias pessoas com facilidade. O boca-a-boca de algo assim ajuda a dar uma atmosfera sobrehumana para o Batman. A culpa por algumas ações de uma pessoa no filme da qual que o Homem-Morcego acaba levando a responsabilidade também ajuda na fantasia popular de um morcego gigante impiedoso.

É desnecessário falar do Jim Gondon vivido por Gary Oldman. Substituindo a insossa Katie Holmes no papel de Rachel Dawes, Maggie Gyllenhaal traz tempero à personagem, fazendo-a ter uma presença que as limitações de Katie não conseguiram proporcionar. Maggie não é a atriz mais bonita, mas certamente é talentosa e, apesar de muito terem considerado sua performance a mais fraca de TDK, ela não quebra a corrente de boas atuações.

O roteiro é complexo e apesar de pequenos delizes, se desenvolve de forma bem amarrada nas duas horas e meia da película. Há cenas e frases marcantes, mas os diálogos não caem na imbecilidade. Um filme que aborda limites e a falta deles, TDK estabeleceu um novo marco para as produções baseadas em quadrinhos e mostrou que grandes franquias podem e devem ser sinônimos de bom conteúdo.

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“Onde ele consegue aqueles brinquedinhos?”

O Burger King dá uns brindes bem legais. Quando estreou Iron Man, eu peguei o Latinha e o Monge de Ferro. A qualidade dos brinquedos é bem melhor do que muitos caros por aí. Eles também lançaram uma promoção do Batman, e dessa vez eu peguei o Tumbler e o Batsinal.

O Cinemark também está com uma promoção de um copo bem estiloso, eu peguei ele também. Vão algumas fotos:

The Dark Knight

Pena que não dá para ver muito, mas o Tumbler ficou bem legal. Esse Batsinal poderia ter sido mais caprichado. Ele tem uma luz até que boa, mas não espere projetar um morcego na parede

Esse copo é muito detalhado. Além de uma arte legal, tem esse “busto” removível muito bem feito do Batman com o uniforme do Begins

Iron Man

O Monge poderia ser um pouco maior…

“I’m Iron Man”

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LEIA TAMBÉM!:

O Legado do Morcego

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Capas de hoje: Estadão e Folha

Bom, é aquela coisa que a gente aprende desde o primeiro ano de Jornalismo:Dificilmente a imagem em destaque na capa de um jornal corresponde a manchete principal deste. Vejamos duas capas de hoje, dia 08 de julho:

A foto é de um homem que teve o filho de três anos baleado durante uma ação policial no Rio de Janeiro e a manchete fala sobre a data programada para a construção da usina nuclar Angra 3. Seria cômico se não fosse trágico o modo como eles tentaram associar a foto à notícia. O gesto do homem, aparentemente fazendo um número três com a mão, associado à chamada para o texto sobre Angra 3 dá um ar risível para a capa. Uma situação um tanto quanto inapropriada e com certeza de mal gosto, uma vez que a situação vivida por aquele pai não tem muita graça.

A Folha adotou uma capa mais sóbria. A foto ainda é sobre o pai do garoto se lamentando e a manchete desta vez é sobre fome. Fica um ar sério, uma vez que a foto e a manchete não dão brecha para uma associação jocosa.

Estas foram as impressões que eu tive ao bater o olho nas capas. Talvez alguma fato ou detalhe tenha me escapado que me trariam uma interpretação melhor. De qualquer modo, não achei a capa do Estadão de hoje uma escolha apropriada.

A habilidade suprema da Invisibilidade Involuntária

Passar despercebido é uma arte milenar. Os ninjas treinam e se esforçam durante anos para aprimorar suas técnicas furtivas e surpreender o inimigo. Para algumas pessoas, no entanto, não ser notado é uma característica nata, conseguida sem nenhum esforço e que está sempre no modo “ON”. Os agraciados com tal dom, sendo pessoas comuns e vivendo suas vidinhas normais, vêem esta arte involuntária como indesejada em muitas situações. Este que vos tecla é um exemplar destes seres especiais.

É incrível como muitas vezes simplesmente as pessoas não notam minha presença – Esta semana eu fui a um evento em que era servido um coquetel. Eu esta com sede. Peguei a fila. Chegou minha vez, eu olhei para o garçom (por que vocês nunca me atendem direito? Porrr quêêêê???) e pedi um iogurte. Sim, um iogurte. Tinha uma jarra cheia daquela coisa rosa. E o que o nosso amigo servente fez? Pegou uma taça, encheu e deu para uma pessoa que estava do outro lado, justo o lado mais difícil de alcançar. E fez isso de novo e de novo. Eu pedi mais uma vez “aqui, por favor!”. Será que eu falo tão baixo assim? Ele serviu outra pessoa e então acabou a requisitada bebida láctea e ele foi buscar mais.

O rechonchudo rapaz servidor de iogurtes volta. Eu olho para a cara dele. Tinha muita gente em frente a essa tal mesa das bebidas (nossa, como tinha gente lá). Por alguma razão, que eu não sei explicar, os numerosos sedentos também queriam uma taça daquele RELES IOGURTE DE MORANGO. Eu peço novamente e o garçom gordinho com cara de não muito esperto me ignora. Mais uma vez. Serve uma, duas três pessoas – nenhuma delas sou eu. Enfim ele pega uma taça, enche com a tal bebida e pergunta “alguém quer?”. Não! E lá vai ele oferecer para todo mundo que estava lá. Por um instante, parece que ele tentou desviar de mim, mas eu tomei taça da mão dele e fui me satisfazer com meu prêmio. Pena que eu não sentia mais tanta sede…

Eu poderia fazer uma teoria quanto à ineficácia dos garçons quando atendem alguém ou como comumente eles não vão com a minha cara, mas isso é pouca coisa. Simplesmente estar em um lugar e ao mesmo tempo não estar é algo muito mais fascinante. Eu estou andando em uma rua do meu bairro, cuidando da minha vida, vendo outras pessoas cuidar da dela e as tiazonas cuidarem das dos outros. Vejo um conhecido, uma pessoa com quem eu cresci, que sabe quem sou eu. Digo “oi! Tudo bem?” e o indivíduo… Nem percebe?! Ele devia estar distraído com alguma coisa. Nossa, como eu conheço gente distraída! Hoje em dia eu olho para a pessoa e observo se ela olha de volta e esboça alguma reação cordial: ois-tudo-bens não podem ser jogados ao vento assim, para voarem sem destino e baterem em um muro pichado.

Já chegou em algum cômodo da casa e seu familiar deu um pulo e disse “nossa, que susto, menino! Quer me matar do coração, é”? Aí eu até entendo. Eu também já passei por isso e fui o causador deste pânico caseiro muitas vezes. São freqüentes as ocasiões em que quando eu estou com algum amigo, por exemplo, mudo a direção para, sei lá, jogar um papel no lixo e volto para o lado da pessoa ela fala “Ah, você está aí! Você sumiu!”… Eu me desloquei por menos de dez segundos. Estas situações são até comuns para as pessoas, mas no meu caso acontecem frequentemente demais. Tem também aquela situação em que eu entro em uma ambiente e depois de um tempo alguém diz “Você está ai! Não tinha te visto”. Claro que você não me viu, eu sou um ninja nato.

Mais ou menos assim:

Claro, há outras situações. Mas acho que já está bom.


 

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