
Mês passado entrou em vigor uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro que se tornou o terror dos motoristas que gostam de entornar umas e depois voltar para casa, serelepes e alegres dirigindo seus carros: A Lei 11.705, vulgarmente conhecida como “Lei Seca”. Tal regulamentação aperta o cerco contra aqueles que dirigem sob o efeito de bebidas alcoólicas, aplicando punições pesadas e intensificando a fiscalização. Muita gente gostou, muitas vidas foram salvas, muita gente odiou e muita gente perdeu dinheiro. O fato é que independente de uma lei mais severa, muitas vezes (sempre) uma coisa que é realmente uma obrigação, questão de bom senso, respeito ao próximo e lógica de auto-preservação é vista com total descaso, descrédito e negligência.
Esses dias eu assisti uma reportagem do SPTV que falava sobre a fiscalização da Lei Seca. Um rapaz, com seus 27 a 30 anos, sentado em um barzinho na hora do almoço, indagado pela repórter responde com a maior cara lisa sobre a possibilidade de ser pego na fiscalização e conseqüentemente multado em quase mil reais, correndo o risco de ter o carro apreendido, perder a carteira e até de ser preso: “Eu vou arriscar, né?” ao que a repórter pergunta “Hoje você já bebeu algumas cervejas, então?”, ele responde com um sorrisinho maroto: “Na verdade, já bebi muitas garrafas…”.
O problema aí é uma pessoa assumir tão prontamente o risco de estando alterada quimicamente se acidentar, ficar com seqüelas permanentes, se matar ou pior: Deixar seqüelas ou matar outro ser humano. Tudo porque o bonitinho não quis pedir um suco ou uma Coca-Cola, e sim várias garrafas de cerveja. Na boa, com todo o respeito que você merece, VÁ TOMAR NO CU. Aí você me pergunta… “Por que tão sério? Pra que tanto ódio nesse seu coraçãozinho?”… Ora, jovem padawan, estou apenas expressando minha opinião quanto ao assunto. Se a lei serve para punir aqueles que assumem a responsabilidade de matar outro ser humano, alguém que não tem nada a ver com eles e que tem uma família (ou mesmo não tendo), eu sou completamente a favor.
Segundo foi publicado na Folha de São Paulo, um balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo aponta redução de 63% no número de mortes por acidentes de trânsito após a vigência da nova lei. Este levantamento teve como base registros feitos em três unidades do IML (Instituto Médico Legal) instalados nas regiões sul, leste e centro – que atende também as regiões norte e oeste – da capital paulista. Também segundo a Folha 30 hospitais públicos estaduais da Grande São Paulo economizaram R$ 4,5 milhões nos primeiros 30 dias de em que a Lei Seca entrou em vigor, e isso devido à redução do número de vítimas de acidentes de trânsito provocados por motoristas alcoolizados que, segundo a matéria, caiu pela metade. A principal função da lei e da blitz não é estragar sua diversão, caro amigo pé-de-cana, mas conseguir resultados como este. E mais: se as pessoas não se tornam conscientes pelo puro e legítimo bom senso (para mim, a falta dele é o maior mal que assola a humanidade), nada melhor do que um pressãozinha para corrigir alguns “vícios” nocivos.
O comércio de cerveja sem álcool, que não é tão sem álcool assim, cresceu bastante. A bebida contém até 0,5% da substância contra os 5% das cervejas comuns. Já as vendas da tradicional caíram, assim como a clientela dos bares, sendo que agora estes recorrem a todo tipo de artifícios para manter os lucros, como inovar nos drinks não alcoólicos, disponibilizar algum tipo alternativo de transporte e até motoristas particulares. O mercado está em constante mudança e se adequando a novas situações. Hoje eu ouvi na CBN que uma opção seria também fazer convênios de bares com empresas de táxi, uma das opções de transportes que tendem a ser beneficiadas com as atuais fiscalizações, mas uma lei que regulamenta a profissão (não me lembro se é só aqui em São Paulo) impede que os taxistas dêem desconto em corridas, inviabiliza então o tal convênio. Está aí uma coisa que deveria ser revista pelas autoridades para ajudar sedimentação da Lei Seca, uma entre tantas medidas que precisam ser tomadas. Cito mais algumas:
Transporte Público - Para as pessoas que querem consumir bebidas com álcool e não gastar demais para voltar para casa ou não têm uma carona, essa é a escolha óbvia. Só que os ônibus têm má qualidade, não são todos que estão em perfeitas condições e a maioria das linhas não funciona de madrugada, na hora em que as pessoas costumam ir embora dos bares. Sem contar que, se de carro já é arriscado, a pé o perigo e a probabilidade de sofrer um assalto são bem maiores, o que leva ao próximo item;

Segurança Pública - Em metrópoles como São Paulo este é um assunto a parte. Renderia outro post enorme só falando disso. Aí não entra nem a segurança de um perfil específico de indivíduos, mas da população como um todo;

Campanhas de conscientização – Aquele “se for beber não dirija” que aparece nos comerciais de cerveja não é o suficiente. Brasileiro é um povo teimoso e um dos maiores problemas do país é falta de orientação adequada de modo extensivo. Talvez isso não devessem se limitar apenas a campanhas, mas integrar esta cultura de direitos e deveres ao ensino fundamental. Não sei como anda hoje em dia, mas uma matéria que focasse cidadania e atitudes conscientes deveria fazer parte do currículo escolar.

Provavelmente a lei vai se abrandar futuramente, mas com certeza está servindo com umas boas palmadas nessa criançada sapeca que não têm limites para nada. Beber pode ajudar a se soltar e “curtir”, mas é sensato pensar nos possíveis resultados dessa suposta diversão efêmera. Espero que pelo menos a fiscalização continue forte. O Brasil pode muito bem seguir o exemplo da Rússia, que também adotou uma lei de tolerância zero e no início deste mês (julho) decidiu que irá aumentar o limite para três decigramas de álcool por litro de sangue (metade do que era permitido antes por aqui), o que equivale a um copo de cerveja. Claro, este é o único exemplo de lá neste quesito que nós poderíamos seguir, já que os russos têm um dos piores índices de segurança no trânsito do mundo, com cerca de 33 mil pessoas mortas em acidentes do tipo em 2007 e quase metade desse número causado por motoristas bêbados.
Não é questão de as pessoas não terem o direito de beber, até porque isso elas têm. O caso é que direção e embriaguez não combinam. Logo, uma pessoa não tem direito nenhum em arriscar a vida de outros indivíduos. Quer se arriscar? Faça isso bebendo e se equilibrando sozinho na beira de um penhasco, mas certifique-se de que ninguém passa lá em baixo, tá? No mais, é bom saber que estão fazendo alguma coisa para punir pessoas imprudentes como esse cara aí:
Quer tirar as suas dúvidas sobre a lei anti-Jeremias? Essa matéria do G1 serve para isso.


Três anos de uma espera que pareceu muito maior. Uma das campanhas de marketing mais bem feitas que eu já vi na minha vida (Jim Gondon me ligou! Quantos filmes fazem campanhas tão grandiosas e estimulantes?). Eis que ele estreou… Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). Assisti-o no segundo dia de exibição nacional (19/07) e devo dizer que ele fez jus a todo o “hype” criado, a toda a esperaça de presenciar algo gradioso que foi gerada.
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Declarações de amor e ódio