Arquivo para Junho, 2008

Filmes: Hulk e The Incredible Hulk

HULK ESMAGA!

Bom, no último domingo eu fui ao cinema assistir O Incrível Hulk (The Incredible Hulk). Como esperava, é um filme muito bom e eu estava confiante de que o trabalho com o envolvimento intelectual de Edward Norton renderia bons frutos. A origem do personagem foi mais uma vez alterada nas telonas, mas desta vez faz referências à antiga série protagonizada por Bill Bixby e Lou Ferrigno e a origem do verdão no universo Ultimate da Marvel, ligado ao projeto do Supersoldado que originou o Capitão América. Referências e homenagens a série de TV não faltam, aliás. Há o mesmo melodrama de Banner em busca de uma cura, Bixby em um programa de televisão exibido no Rio de Janeiro (!), a cor dos olhos como o primeiro sinal da transformação iminente, Lou Ferrigno fazendo uma ponta divertida e a voz do Hulk e… A música tema do seriado.

Ferrigno, coincidentemente ou não, faz novamente o papel de um segurança em um filme do Golias Esmeralda que ele próprio já interpretou. Sim, a primeira vez foi no Hulk de 2003, dirigido por Ang Lee, que na minha opinião é tão injustiçado e incompreendido quanto o monstrengo verde. Ambos os filmes têm seus defeitos e suas vitudes. Eu gosto dos dois e não consigo definir qual prefiro. A produção de 2003 teve uma abordagem diferente e ousada nas mãos de Lee. Sem um vilão realmente marcante como o Abominável, o filme foca mais o lado humano dos personagens (ou pelo menos, do protagonista), o trauma sofrido por Banner que o leva a ser uma pessoa contida e liberar todo o seu ódio na forma de um gigante verde. A explicação para tal mudança foi elaborada de um modo mais complexo e, eu diria, plausível.

Engraçado é que nos dois filmes há o envolvimento clássico da radiação Gama na criação do Hulk, mas a mudança resulta de pesquisas de aprimoramento da capacidadade humana (por coincidência, o Duende Verde no filme do Homem Aranha também é criado por um experimento de aprimoramento…). Percebe-se aí que mesmo a nova adaptação não sendo uma sequência direta da anterior, as duas meio que se relacionam, como se o trabalho dirigido por Louis Leterrier fosse uma evolução em alguns aspectos.

As CGs estão mais convincentes na nova versão. Mas independente de qual filme, eu não entendo a razão de tanta gente reclamar da computação gráfica. Sempre vai ser artificial, óbvio, então é isso ou colocamos o memorável Ferrigno pintado de verde novamente. A vantagem que O Incrível Hulk ganha em efeitos especiais, perde em edição quando comparado ao de Ang Lee. Neste, há um trabalho primoroso de transição de cenas inpirado nos quadrinhos, com a tela se dividindo em quadros e mostrando uma mesma cena de mais de um ângulo. A sensação é de estar vendo uma HQ realmente em movimento.

A ação foi favorecida no trabalho de Leterrier. Ao que parece, o filme seria mais dramático do que a versão final, mas a pressão da Marvel levou para outro caminho, para desgosto de Edward Norton. Leterrier conta que há cerca de 70 minutos de cenas que não entraram no filme. Se lançarem uma edição de DVD com todo este material extra, será excelente. Independente do que foi cortado, o trabalho foi competente na construção do universo do personagem: O gigante fala sua famosa frase “Hulk esmaga!”, há referências a outros heróis e a histórias do verdão. Tony Stark, o Homem de Ferro, aparece no filme.

Eu tinha dúvidas quanto a Norton se encaixar bem no papel de Bruce Banner, apesar de ser ótimo ator, pelo fato de ter considerado a atuação de Eric Bana no papel excelente. Para a minha alegria, ele incorporou o personagem tão bem quanto, em certos momentos até lembrando Bixby. Em suas propostas, The Hulk e The Incredible Hulk são filmes bons e competentes. O último traz grandes possibilidades, graça a produção da própria Marvel.

Hulk ( 2003 )

Prós:

- Psicológico do Banner bem explorado;

- Há o pulo que o Hulk dá para atingir longas distâncias;

- Boas atuações, ótimo Banner;

- Edição primorosa;

- Ponta do Lou Ferrigno;

- Tinha uma abordagem interessante.

Contras:

- O baixo orçamento limitou as cenas de ação;

- Falta um vilão realmente marcante que não o papai;

- Podia ter mais elementos dos quadrinhos;

- O monstrão não é “oficialmente” batizado de Hulk;

- Não tem o “Hulk esmaga”.

* Não cito a CG porque realmente não achei a tragédia que muitos dizem.

O Incrível Hulk ( 2008 )

Prós:

- Muitos elementos dos quadrinhos e do Universo Marvel em geral, inclusive com a presença de Tony Stark;

- Referências e influências do antigo seriado;

- Ponta bem humorada do Lou Ferrigno;

- Hulk Esmaga!”, “Betty…”;

- Boas atuações, ótimo Banner;

- Abre um leque de possibilidades.

Contras:

- A transformação parece estar mais ligada a qualquer estresse emocional e exaltação e não especificamente à raiva. O Banner não pode nem se “empolgar” demais (Nos quadrinhos, ele já foi casado com a Betty. Se essa regra valesse lá também, tadinha dela);

- Brasileiros-gringos que tiveram que ser dublados devido ao portunhol;

- Faltou uma trilha sonora realmente marcante em momentos de ação.

Hulk fica mais forte de acordo com sua raiva. No filme de Ang Lee, ele era gigantesco e crescia mais ainda quando se irritava.

Hulk fica mais forte de acordo com sua raiva. No filme de Ang Lee, ele era gigantesco e crescia mais ainda quando se irritava

De um fisiculturista pintado de verde, agora o Golias Esmeralda é representado por computação gráfica.

De um fisiculturista pintado de verde, agora o Golias Esmeralda é representado por computação gráfica

Moto-maloqueiros

Eles são uma subespécie que provavelmente você vê todo dia, exceto se não sai de casa e não tem nenhum contato direto com um exemplar. Fazem parte de uma espécie maior, que é o terror de quem transita por esta cidade de meu Deus dentro de uma máquina de quatro rodas. Eles também se locomovem em máquinas com rodas. No caso, duas. Quando chega a noite, eles se reúnem com seus brinquedinhos acompanhados das piriguetes também rodadas e desocupadas, com o único intuito de fazer barulho, exibir a extensão motorizada de sua masculinidade frustrada e locomoverem-se do nada para o lugar nenhum. Eu os apelido carinhosamente de “moto-maloqueiros”.

Meu bairro é um reduto peculiar desta expressão de raro valor da cultura humana. Depois de um dia qualquer de trabalho e estudo em que eu encontro minha namorada, deixo esta em casa e me dirijo para a minha, querendo usufruir de um merecido sono. A rua está cheia de gente. Não importa se é segunda-feira, sexta ou domingo: a rua está cheia. Raro que não. Barulho de motor, funk executado por um maravilhoso celular, comentários ecandalosos dos meninos, risos histéricos das meninas.

Não estou sendo preconceituoso, estou sendo analítico. O grupo de pessoas barulhentas que cito é formado por muleques e menininhas sem cabresto que em sua vida diurna trabalham exclusivamente para bancar a prestação da motoca, a gasolina desperdiçada inutilmente, bebidas e baladas maneiras, cheias de azaração, sapinhos e inconsequência. Eles só querem se divertir, óbvio. Eles só pensam nas cocotas. O futuro se resume a um emprego que exige pouca formação e garante o capital para sua rotina promissora.

Cresci no meu bairro, conheço as pessoas de lá. Sei que a maioria saiu da escola sem saber escrever uma frase sequer de forma coerente. Sei que para muitos o futuro é uma farra e se a “mina” atual embuchar, é só fazer um puxadinho sem reboco na casa dos pais e juntar os trapos que está tudo certo. Aí vem as brigas. Os dois não conseguem olhar um na cara do outro e vivem se separando e voltando. Quem sofre é o rebento, que cresce em um lugar desajustado, com maus exemplos e pouca orientação.

O que eu observo é: Enquanto eu caminho pela rua, passa um ser descolado em sua motoca com um outro cara também descolado, mas que não teve a graça divina de possuir uma moto só sua, na garupa. O que é estranho, considerando que no local em que eles se reúnem há meninas e seria supostamente preferível para o motoqueiro que uma delas estivesse agarrando-o em cima da moto em vez de outro mancebo. De qualquer modo, os dois dão a volta no quarteirão… uma, duas, três vezes. Que batuta, que legal. Acho que eles não dormem. Ou pelo menos, não acordam cedo, visto que o horário em que eu vejo este pessoal em plena atividade é entre 23h40 e 0h00.

Muitos não usam a moto para trabalhar. Gostam mesmo é de reunir os amigos e ficar empinando o veículo em alguma rua vazia. Isso quando não fazem racha. Claro, ele foi feito para isso, não foi? “Olha só o que eu sei fazer!” Incrível, esse cara manja muito. O Vital, pelo menos, comprou uma porque achava que andar de ônibus era o fim. A vida, a juventude é para ser aproveitadada, claro. Podemos e devemos nos divertir, mas a partir do momento em que uma pessoa cresce, as responsabilidades aumentam junto com a autonomia.

Um espécime destes estava todo feliz, alegre e saltitante porque conseguiu comprar sua motocicleta. Mas, por ser um menino pobre e que iria se matar para pagar seu novo brinquedo, resolveu não fazer o seguro deste. Com uma semana de uso, ele saiu para pagar de gatinho motorizado por aí e sua máquina-de-pegar-mulher foi roubada. Moral: não fez seguro, agora vai ter que pagar uma coisa que não tem mais. Não adianta querer ter um objeto para obter “status” se não tem nem dinheiro para bancá-lo. É burrice.

Crescer e se julgar dono do nariz deveria ser acompanhado obrigatóriamente do bom senso, que faz uma pessoa enxergar que um meio de transporte serve, como o nome já diz, para transportar a pessoa de um lugar ao outro e que, não importa quem seja, é patético sair pagando de bonzão por conta de um bem material. Ainda mais quando nem se tem dinheiro para sustentar qualquer coisa além dele. Há muitas prestações ainda para pagar, eu seria mais cuidadoso.

Capitão Sedentário


Clique na figura para ampliar


 

Junho 2008
S T Q Q S S D
« Mai   Jul »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Estatísticas do Blog

  • 4,404 pessoas tiveram a graça divina de acessar este site