A Humana Desconstrução do Heróico

Comecemos pelo começo. O ser humano é uma criatura comunicadora e, dentro desta habilidade básica, desenvolveu meios para que a mensagem a ser transmitida chegasse ao receptor. Daí a emissão de sons, as pinturas rupestres, a escrita… Os modos de se comunicar e expressar idéias evoluiram e estão evoluindo de modo assombroso. Nestas considerações, não se pode enxergar histórias em quadrinhos como um meio menor. A arte se manifesta das mais diversas formas, através das mais variadas ferramentas e não é à toa que a chamada nona arte foi apenas o meio inicial encontrado para expressar algo digno das grandes obras literárias. Foi só o ponto de partida para algo que nasceu relevante e revolucionário. Foi onde surgiu Watchmen e, em contrapartida, Watchmen atingiu ramos que transpassaram e evoluíram o formato até então convencional.

O enredo se passa em um tipo de Estados Unidos “alternativa” da década de 80, durante a Guerra Fria, onde a presença de heróis mascarados e super-heróis (personificados, no caso, na figura do Dr. Manhattan) influenciaram  a cultura, a economia, a tecnologia e o desenvolvimento político. Graças à presença do Dr. Manhattan, o único ser verdadeiramente com poderes,  o país venceu a guerra do Vietnã. Juntando este fato a  um escândalo do Watergate que nunca aconteceu por conta do assassinato misterioso de dois repórteres do Washington Post, o Presidente Nixon está já há um longo período na presidência. No início da história, os heróis estão em grande parte aposentados por conta de uma lei que exigia que todos os “aventureiros fantasiados” se registrassem no governo. O ponto de partida da trama se dá com o assassinato de Edward Blake, o Comediante, que o vigilante renegado Rorschach decide investigar com a suspeita de uma conspiração maior, que se revela além até mesmo do que ele esperaria.

“Só uma história de heróis” não é o melhor modo de definir a obra idealizada por Alan Moore. Watchmen desconstrói os mitos dos heróis e super-heróis e os apresenta em sua visão peculiar de como heróico e icônico pode ser apenas humano e como o divino ou o lógico pode transcender nossos conceitos do certo e errado. A história poderia ser, por exemplo, sobre heróis lendários e o panteão olímpico que o resultado seria o mesmo. Os próprios épicos contos gregos já mostravam que há o falho e o contraditório mesmo no divino e que seres excepcionais e ações humanas podem mudar o curso da história.  São parábolas de seu tempo, que exploram nada menos que a humanidade em si. Watchmen é exatamente isso, um conto de proporções épicas sobre um tempo e uma mitologia específica. No caso, uma bem mais atual, que substitui os olimpianos, e que para muitos causa fascinação, identificação e mesmo vazão para um mundo que se dá a liberdade de ser uma alegoria ao nosso próprio.

O que é ser herói? Épocas diferentes, ideologias diferentes e ocasiões diferentes definem que é digno do título de heroísmo. Até mesmo para aqueles que possuem valores dentro do moralmente dúbio ou das quais as ações são questionáveis. Se o soldado em guerra se destaca no combate e abate um grande número daqueles que, como ele, estão ali para matar em serviço às ordens de seus países, ele é um herói que cumpriu seu dever. Jesus Cristo é muito mais que um herói para muitos, assim como Hitler é o herói para alguns. Watchmen explora e desconstrói estes conceitos. Seria o herói o homem comum e falho que busca fazer a diferença em seu mundo? Seria aquele obcecado pela sua visão do certo e inquestionável e que vai até o fim para defendê-la ou aquele que acredita que um bem maior às vezes vem do que poderia ser moralmente controverso? Talvez o deus que se omite por estar distante demais dos mortais, se desvencilhando de convenções humanas puramente culturais?

O Comediante é um exemplo claro de que o que se julga por heroísmo ou bandidagem é uma simples questão de ponto de vista ou ocasião. Ele não tem vergonha de ter tido ações tão corruptas quanto às de um policial que veste a farda, mas que nem por isso está fazendo a lei ser cumprida. É um herói do ponto de vista político, pois defendeu, à sua conveniência, interesses específicos. Combateu vilanias do mesmo modo que pode fazer um policial que recebe propina. Ele representa o contraditório e, mais uma vez o comparando com um oficial, é o exemplo mais claro de que usar um uniforme não faz da pessoa necessariamente correta ou cumpridora do que seria a essência básica da sua função. Por que no caso dos denominados “heróis” seria diferente? O Comediante representa o “american way” em sua faceta mais rasteira, ardilosa e controversa.

Exemplos, referências e metáforas quando se fala do homem comum sob o espectro peculiar de Watchmen. Desde o Coruja, que parece ter perdido algo e que só reencontra sua confiança por detrás de seu manto, até Ozymandias, que em seu impulso de realmente salvar a humanidade dela mesma, faz jus à sua alcunha de homem mais inteligente do mundo usando contra o mundo um artifício da qual ele próprio se vê a mercê todos os dias sob as mais diversas formas. Há também o obcecado Rorschach, alguém que vê a vida de modo tão monocromático quanto sua máscara e que luta até o fim pelo purismo que julga correto, em detrimento do que considera podre. Há modo mais interessante de se vislumbrar o que é o conceito heroísmo? De perto, o que é isto, afinal? O termo por si só, como já citado, é controverso e passível de interpretações dos tipos mais variados. Mas a história vai além, fala sobre desprendimento, frustração, esperança, facetas morais tão diversas quanto à própria natureza de todos nós e, por fim, mas não menos importante, sobre sacrifício.

A graphic novel Watchmen usufruiu de tudo o que o veículo “história em quadrinhos” tinha ao oferecer em termos visuais e de narrativa, até o desenrolar do roteiro e concessões que o meio permite. A HQ de piratas “Contos do Cargueiro Negro”, lida por um garoto sentado ao lado de uma banca de jornais, nada mais é do que uma metáfora à própria história principal em si e ao seus protaganistas, mascarados ou não, assim  conversando com os eventos que correm simultaneamente. Watchmen toma emprestados ainda elementos literários que, concebidos por um feliz viés do acaso, complementam o universo, fazendo com que as referências bibliográficas ficcionais, escritas pelo próprio Alan Moore, tornem o mundo de Watchmen mais completo e tridimensional. Considerando tudo isto, é claro que em uma versão para cinema nem tudo poderia ser transposto de forma literal. A mudança de formato impede isto. A questão é: poderia ser adaptado? Ou melhor, levando em consideração o capital necessário, a necessidade de lucro e a mentalidade hollywoodiana, seria possível? A primeira resposta seria “não” ou “improvável”. Mas a idéia ser tornou realidade e, sim, foi possível.


“QUIS CUSTODIET IPSOS CUSTODES”

Obras realmente importantes estão fadadas e revisitação e releituras de tempos e tempos. Watchmen não foi uma excessão e a esperança de alguns que a hora dele não chegasse era ilusória. Mesmo assim, o fato de ter sido convertido em uma superprodução de cinema sem se render à deturpação do conteúdo original foi uma conquista significativa e arriscada mas, artísticamente falando,  acertada. Não se pode negar que a película é corajosa por simplesmente não estar dentro do que é convencional. A maior virtude de Watchmen – O Filme (este “O Filme” sempre desnecessário nos títulos…) é também o seu maior defeito: Condensar uma história dividida em 12 capítulos e recheada de detalhes importantes em um filme de menos de três horas, o que por si só é tarefa das mais difíceis. Somando isso ao fato de ser diferente do que é comum para fitas de “heróis”, temos algo no mínimo controverso.

O público dos chamados blockbusters está acostumado com os estereótipos e fórmulas mais básicas nas tramas adaptadas de quadrinhos: Há um vilão que é vilão e um herói que é herói. O herói derrota o vilão de forma mirabolante e o bem vence o mal. Básico. Mas isso nunca foi Watchmen. O que pôde ser feito para esta versão de cinema foi reforçar certos traços e amenizar outros – Ozymandias, o “homem mais inteligente do mundo”, é mais vilão, mais merecedor de antipatia. Este foi o personagem que mais sofreu com a versão cinematográfica pelo simples fato que deveria haver alguém que tivesse que ser derrotado. O pouco tempo o privou até de uma motivação mais aprofundada. E ainda assim, mesmo com traços mais fortes de um Ozymandias mais suspeito e Coruja mais “Batman”, o desfecho foi atípico para o que o público “leigo” esperaria e respeitou a essência da obra original.

O diretor Zack Snyder quis com o filme fazer referências ao cinema e a cultura geral do mesmo que a graphic novel faz às próprias HQs e também à cultura. Estas referências se refletem nos figurinos dos personagens, cenas específicas e mesmo na trilha sonora. Até uma referência à adaptação anterior feita por Snyder, 300, está lá. É possível também ouvir o Grito Wilhelm, um elemento clássico e indispensável para qualquer produção que se proponha a fazer referências ao cinema em geral. As músicas que fazem parte do filme têm um significado particular para cada momento em que aparecem, seja ele mais emblemático ou mais explícilto em suas letras e conteúdo. É de estranhar ou até achar cômico que Hallelujah, de Leonard Cohen, esteja em uma cena mais “picante” do filme. Pelo menos para quem não tem idéia do que a música verdadeiramente expressa. O fato é que pensar que a produção teve desleixo ou descuido em certos detalhes  é injusto.

Dizer que o filme é perfeito é uma grande bobagem, só comparada a dizer que ele falha como adaptação. O tão polêmico desfecho precisou ser alterado em relação à HQ apenas pela pura e simples troca de mídias e não altera o resultado final. Dos pesares, pode se dizer que o elenco teve peças fortes, assim como atores que não casaram bem com o seu papel. Prova disso é a diferença entre Jackie Earle Haley e sua elogiada atuação como Rorschach e a pouco expressiva Malin Åkerman no papel da frustrada heroína Espectral. As cenas de ação tiveram acréscimos desnecessários e por vezes exagerados, com o intuito falho de tornar o filme mais palatável a públicos que só buscavam apenas isso mesmo. Nada que no fim desqualifique o trabalho desprendido para realização do longa. O que mais dizer? A mesma temática adulta, falhas de caráter e anseios ainda estão lá. Tanto que para alguns ainda é difícil não encontrar no filme o super-herói incorruptível e altruísta. Dentro disto tudo, acusar Watchmen – O Filme de ser uma obra sem humanidade é um equívoco, pois a essência é primariamente oposta.☺

“Quatro anos andando em círculos”…

Me sinto compelido a falar de mais um assunto do momento. Mentira. Não me sinto compelido a nada. Até porque não gosto de eleições. Putz… menti de novo. Não gosto é do circo que as campanhas eleitorais viraram, e nem das caras estampadas nestas campanhas. Elas são mentirosas. As campanhas e os donos das caras. O fato é que tenho escrever alguma coisa para atualizar essa bagaça de blog e estou tentado fazer um texto engraçadinho. Eu sou patético. Mas se tratando de eleições, o que não é?

O governo faz propagandas para que nós votemos conscientes nas eleições. Faz sentido, até porque uma pessoa não consegue votar quando está inconsciente. E é importante votar. É obrigatório. Se eu não conseguir votar porque estive inconsciente vou ser punido. Afinal, dependendo do motivo de estar desacordado, não tenho uma justificativa plausível para ter faltado. Também não tenho muitos motivos para ficar inconsciente. Coma alcoólico? Não bebo. Desmaio? Sou saudável, apesar de sedentário. Não tenho problemas de pressão nem nada do tipo. Acidente? Melhor não…

O único modo de eu não conseguir votar por estar desacordado é dormir o dia inteiro. Eu gostaria disso, mas essa desculpa não cola. Então tenho que sair de casa no meu dia de descanso, enfrentar trânsito, boca de urna (é crime, não é?) e filas. Tudo porque sou obrigado a mostrar cidadania em um país democrático depois de uma campanha patética que não me mostrou nada útil. Eu sou O-B-R-I-G-A-D-O. Talvez eu até levasse mais numa boa se antes da minha vez não fosse sempre aquela tiazinha que tem problemas para mexer até no controle remoto da televisão. E a tia fica lá um bom tempo… Vinte minutos para ela conseguir votar no Paulo Maluf. Sim, “O CARA” que acha que tudo bem estuprar, desde que não mate. Mas quem pode culpar a tia, já que ela não sabe nem mudar canal da TV?

Dia de eleições tem “lei seca”. Este ano, menos em São Paulo e no Rio. Será proibido o comércio de bebidas alcoólicas durante o dia das votações. Eu não costumo beber, não gosto muito de bebidas e entendo a razão de eles vetarem a venda delas. Claro, nada mais justo. Depois que você sai da urna e percebe que merda nenhuma vai mudar depois da sua odisséia que terminou logo após a tiazinha descobrir como se vota, a única vontade que se tem é a de ir para um bar encher a cara. Imagine como seria tanta gente bêbada? Aí o Brasil iria conseguir a proeza de ser mais zona do que já é. SP e RJ resolveram tentar a sorte e liberaram a bebida. Eu tenho medo… Mas também, com o caos do trânsito em São Paulo e a violência urbana no Rio de Janeiro, encher a cara para levar tudo na esportiva acaba virando até uma obrigação.

Tem gente que diz que quem não vota ou até mesmo quem anula o voto não possui direito nenhum de reclamar de quem foi eleito. Peraí… Quer dizer que se eu não votar em alguém eu não tenho direito de contestar, em um país democrático,  o mau uso do MEU dinheiro, que eu sou gentilmente obrigado a ceder para ele através de impostos? Mas e se o motivo de eu não ter votado nele ou em qualquer outro é porque não tinha ninguém realmente bom o bastante para merecer minha confiança? Não sou eu que, querendo ou não, vou pagar o salário dele? Eu sei que o candidato eleito não vai fazer nem metade do que vomitou um mês inteiro no meu ouvido. Então, que direito superior eu tenho de reclamar se fui eu mesmo, sabendo de tudo isso, que coloquei ele lá?

O filósofo francês Joseph De Maistre disse que cada povo tem o governo que merece. Existe um provérbio que diz que a voz do povo é a voz de Deus. Se eu for levar em consideração as duas máximas ou eu vou acabar duvidando da existência de Deus ou chegar a conclusão de que a “massa” é burra mesmo. Faço parte da massa burra. E eu sou obrigado a participar deste circo, sou obrigado a votar. Dizem que meu voto vale ouro e que decide o destino do nosso país. Bom, até agora não decidiu nada, já que todas as pessoas em quem eu resolvi votar perderam. Talvez eu vote em quem vai ganhar para me sentir mais importante. No meio desta grande batalha de marketing,  tanto faz mesmo.

Aliás, campanhas eleitorais deveriam mesmo se chamar “campanhas de marketing”. Atualmente (?), não ganha a pessoa mais honesta e com as melhores intenções, mas quem tem o melhor texto elaborado pelo assessor de marketing. Quem tem o single mais grudento, quem tem o melhor fotógrafo, quem tem mais espaço no magnífico e equilibrado horário gratuíto…

Me sinto compelido a ser direto: As campanhas eleitorais e seus candidatos me dão cada vez mais nojo. A situação toda parece a piada fracassada de um palhaço sujo e maltrapilho em cima de um palco improvisado em um boteco de quinta categoria onde o banheiro tem as privadas entupidas e transbordando e o local todo fede a mijo. É só ligar a TV para sentir náuseas. É só andar na rua, ver porta-bandeiras, caminhões com música e panfletos inúteis forrando o chão para ficar irritado. Imagine só a contradição que seria ver vários panfletos contendo o nome de um candidato do partido VERDE sujando as rua da cidade. Você duvida? Eu não.

Já expressei boa parte da minha opinião. Amanhã (na verdade hoje, estou escrevendo isso à 1 hora da madrugada) inevitavelmente estarei lá, exercendo meu poder de cidadania e liberdade.

Obrigado.

Experiência com buscas – A revanche

Você leu o post anterior? Achou ele através de uma pesquisa inocente no Google? Não? Então leia-o e depois volte aqui, pois vou falar dele.

Bom, minha idéia era ver como os temas citados anteriormente iriam afetar o acesso do meu blog através de pesquisas na Internet. Claro, a putaria (com o perdão do termo chulo) ganha. Houve até algumas pesquisas sobre as olimpíadas, mas nossos amigos onanistas querem mesmo é ver a atriz sem roupa.

Entre as pesquisas pelos temas e/ou relacionados a eles, até agora chegaram:

- “Carol Castro”

- “Fotos de famosa nua na playboy”

- “Registro de assinantes da Playboy” (hã?)

- “Carol Castro Playboy”

- “Carol Castro na Playboy de agosto de 2008” (que rapaz específico…)

- “Carol Castro pelada”

- “Playboy só cuzinhos” (Eu, hein…)

- “Olimpíadas 2008” (Ora, vejam só)

E… Por aí vai. Fora isso, sempre tem muita gente procurando o Tigre Siberiano ou o Coronel Tutchenko.

Parece que fazer uma coisa mais apelativa rende. Aliás, não parece: É. Na página do WordPress, sempre tem blogs que disponibilizam fotos comportadas na lista de páginas em destaque. É… E você, acessou esta modesta página para quê? Conte-me, ficarei feliz de ler seu comentário.

Abordar assunto popularescos todo mês talvez fosse uma boa. Quem vai ser a capa Playboy de setembro? Vejamos…

Ah… Gyselle Soares, ex-BBB (foi difícil achar uma imagem comportada dela…). Aliás, as pessoas que participam desse programa não são lembradas pela profissão ou por algo relevante – são lembradas por participarem daquele programa combinado! Aí, geralmente de uma hora para outra, resolvem virar atores e atrizes, apresentadores, e até cantores (IaRuOoUu…)! Sinceramente, só sei quem é essa moça porque pesquisei no Google. Quando alguns colegas dela aparecem na televisão eu pergunto: “Quem é esse?” porque são pessoas tão importantes e talentosas que eu simplesmente não sei. Acho que deveria continuar sem saber.

Qual é o próximo passo? Falar das capas de Sexy? Da ex-atriz global que agora compõe a constelação da Brasileirinhas, mostrando todo o seu potencial artístico e talento com postura e respeito próprio? Hum… Não! Eu não vou mais falar desses assuntos. Nem disso, nem do resultado do campeonato de futebol e nem das medalhas de bronze que o Brasil conquistou por puro e simples mérito dos atletas, já que patrocínio mesmo não há nenhum. Vou evitar falar sobre os próximos episódios de A Favorita, do final manjado e com uma seqüência de perseguição risível que ela inevitavelmente terá ou então de Pantanal e das chamadas absurdas do SBT para a novela.

O texto seguinte deste blog não abordará nenhum dos temas citados e será totalmente diferente dos últimos dois conteúdos. Será algo, digamos assim, muito mais politicamente correto, quadrado e “estilo escoteiro”. Espere e verá. Não perca os próximos episódios.

LEIA TAMBÉM:

Olimpíadas 2008 e Carol Castro

Olimpíadas 2008 e Carol Castro

Não, caro internauta desocupado que gastou seu tempo no Google para chegar nesta página, este post não será muito extenso, como usualmente faço (sabendo você ou não. Mas não importa). Ando sem tempo de alimentar meu blog com algum pensamento assaz contundente e, para ser sincero, não estou muito criativo. Estive pensando em atualizar essa joça uma vez por semana. Meu contador de acessos anda meio “borocochô” e, não que isso importe muito, queria fazer o coitadinho trabalhar um pouco. Então, para otimizar as buscas, resolvi falar de dois assuntos que estão na moda agora e que rendem bons índices de pesquisa. Na verdade não falar sobre, e sim citar. Apenas isso.

Logo, o único intuito deste post é que o blog apareça nos resultados de busca quando você estiver procurando páginas sobre esportes ou fotos de mulher pelada. O que eu ganho com isso? Não sei. Dizem que a propaganda é a alma do negócio, mas não estou certo se vale muito apena divulgar demais um blog que não tem um conteúdo tão nos moldes da esmagadora maioria por aí. Aqui, não vou postar fotos minhas com uma câmera digital em frente ao espelho, nem fotos em que eu apareça bebaço acompanhadas de um pseudo-texto dizendo que a festa de ontem foi “tuuuudo de boooommm”, nem que meu papagaio Paco morreu de AIDS e por isso eu estou deprê e não quero postar mais nada hoje. Não vou tentar ser fonte de informação para nada, simplesmente por que não tenho tempo ou saco para isso. Deixem outros copiar e colar. Minhas pretensões egocêntricas quanto a este modesto espaço podem ser lidas aqui.

Mas… Chega de enrolar. Não foi por isso que você entrou aqui, não é? Como disse, apenas citarei os tais dois assuntos, então se você veio aqui procurando algo mais específico sobre eles, acabou de cair em uma pegadinha. Lá vai:

Olimpíadas Beijing/Pequim 2008 – Tá bom… Vou te dar uma colher de chá e aproveitar para fazer mais um pequeno jabá. Aqui há textos sobre as Olimpíadas produzidos por alunos da minha faculdade, inclusive eu*

Carol Castro – Bonita, mas você ainda tinha alguma esperança de ver aqui ela pelada em alguma foto da Playboy? Este é um blog conservador e eu não quero apanhar da patroa

No fim das contas, esta acabou sendo uma postagem não tão pequena assim. Seria outro truque?

 



 

* Atualizado em 15/08/2008

 

“Rapaiz… Tu bebestes, não foi?”

 

Mês passado entrou em vigor uma alteração no Código de Trânsito Brasileiro que se tornou o terror dos motoristas que gostam de entornar umas e depois voltar para casa, serelepes e alegres dirigindo seus carros: A Lei 11.705, vulgarmente conhecida como “Lei Seca”. Tal regulamentação aperta o cerco contra aqueles que dirigem sob o efeito de bebidas alcoólicas, aplicando punições pesadas e intensificando a fiscalização. Muita gente gostou, muitas vidas foram salvas, muita gente odiou e muita gente perdeu dinheiro. O fato é que independente de uma lei mais severa, muitas vezes (sempre) uma coisa que é realmente uma obrigação, questão de bom senso, respeito ao próximo e lógica de auto-preservação é vista com total descaso, descrédito e negligência.

Esses dias eu assisti uma reportagem do SPTV que falava sobre a fiscalização da Lei Seca. Um rapaz, com seus 27 a 30 anos, sentado em um barzinho na hora do almoço, indagado pela repórter responde com a maior cara lisa sobre a possibilidade de ser pego na fiscalização e conseqüentemente multado em quase mil reais, correndo o risco de ter o carro apreendido, perder a carteira e até de ser preso: “Eu vou arriscar, né?” ao que a repórter pergunta “Hoje você já bebeu algumas cervejas, então?”, ele responde com um sorrisinho maroto: “Na verdade, já bebi muitas garrafas…”.

O problema aí é uma pessoa assumir tão prontamente o risco de estando alterada quimicamente se acidentar, ficar com seqüelas permanentes, se matar ou pior: Deixar seqüelas ou matar outro ser humano. Tudo porque o bonitinho não quis pedir um suco ou uma Coca-Cola, e sim várias garrafas de cerveja. Na boa, com todo o respeito que você merece, VÁ TOMAR NO CU. Aí você me pergunta… “Por que tão sério? Pra que tanto ódio nesse seu coraçãozinho?”… Ora, jovem padawan, estou apenas expressando minha opinião quanto ao assunto. Se a lei serve para punir aqueles que assumem a responsabilidade de matar outro ser humano, alguém que não tem nada a ver com eles e que tem uma família (ou mesmo não tendo), eu sou completamente a favor.

Segundo foi publicado na Folha de São Paulo, um balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo aponta redução de 63% no número de mortes por acidentes de trânsito após a vigência da nova lei. Este levantamento teve como base registros feitos em três unidades do IML (Instituto Médico Legal) instalados nas regiões sul, leste e centro – que atende também as regiões norte e oeste – da capital paulista. Também segundo a Folha 30 hospitais públicos estaduais da Grande São Paulo economizaram R$ 4,5 milhões nos primeiros 30 dias de em que a Lei Seca entrou em vigor, e isso devido à redução do número de vítimas de acidentes de trânsito provocados por motoristas alcoolizados que, segundo a matéria, caiu pela metade. A principal função da lei e da blitz não é estragar sua diversão, caro amigo pé-de-cana, mas conseguir resultados como este. E mais: se as pessoas não se tornam conscientes pelo puro e legítimo bom senso (para mim, a falta dele é o maior mal que assola a humanidade), nada melhor do que um pressãozinha para corrigir alguns “vícios” nocivos.

O comércio de cerveja sem álcool, que não é tão sem álcool assim, cresceu bastante. A bebida contém até 0,5% da substância contra os 5% das cervejas comuns. Já as vendas da tradicional caíram, assim como a clientela dos bares, sendo que agora estes recorrem a todo tipo de artifícios para manter os lucros, como inovar nos drinks não alcoólicos, disponibilizar algum tipo alternativo de transporte e até motoristas particulares. O mercado está em constante mudança e se adequando a novas situações. Hoje eu ouvi na CBN que uma opção seria também fazer convênios de bares com empresas de táxi, uma das opções de transportes que tendem a ser beneficiadas com as atuais fiscalizações, mas uma lei que regulamenta a profissão (não me lembro se é só aqui em São Paulo) impede que os taxistas dêem desconto em corridas, inviabiliza então o tal convênio. Está aí uma coisa que deveria ser revista pelas autoridades para ajudar sedimentação da Lei Seca, uma entre tantas medidas que precisam ser tomadas. Cito mais algumas:

Transporte Público - Para as pessoas que querem consumir bebidas com álcool e não gastar demais para voltar para casa ou não têm uma carona, essa é a escolha óbvia. Só que os ônibus têm má qualidade, não são todos que estão em perfeitas condições e a maioria das linhas não funciona de madrugada, na hora em que as pessoas costumam ir embora dos bares. Sem contar que, se de carro já é arriscado, a pé o perigo e a probabilidade de sofrer um assalto são bem maiores, o que leva ao próximo item;

Segurança Pública - Em metrópoles como São Paulo este é um assunto a parte. Renderia outro post enorme só falando disso. Aí não entra nem a segurança de um perfil específico de indivíduos, mas da população como um todo;

Campanhas de conscientização – Aquele “se for beber não dirija” que aparece nos comerciais de cerveja não é o suficiente. Brasileiro é um povo teimoso e um dos maiores problemas do país é falta de orientação adequada de modo extensivo. Talvez isso não devessem se limitar apenas a campanhas, mas integrar esta cultura de direitos e deveres ao ensino fundamental. Não sei como anda hoje em dia, mas uma matéria que focasse cidadania e atitudes conscientes deveria fazer parte do currículo escolar.

Provavelmente a lei vai se abrandar futuramente, mas com certeza está servindo com umas boas palmadas nessa criançada sapeca que não têm limites para nada. Beber pode ajudar a se soltar e “curtir”, mas é sensato pensar nos possíveis resultados dessa suposta diversão efêmera. Espero que pelo menos a fiscalização continue forte. O Brasil pode muito bem seguir o exemplo da Rússia, que também adotou uma lei de tolerância zero e no início deste mês (julho) decidiu que irá aumentar o limite para três decigramas de álcool por litro de sangue (metade do que era permitido antes por aqui), o que equivale a um copo de cerveja. Claro, este é o único exemplo de lá neste quesito que nós poderíamos seguir, já que os russos têm um dos piores índices de segurança no trânsito do mundo, com cerca de 33 mil pessoas mortas em acidentes do tipo em 2007 e quase metade desse número causado por motoristas bêbados.

Não é questão de as pessoas não terem o direito de beber, até porque isso elas têm. O caso é que direção e embriaguez não combinam. Logo, uma pessoa não tem direito nenhum em arriscar a vida de outros indivíduos. Quer se arriscar? Faça isso bebendo e se equilibrando sozinho na beira de um penhasco, mas certifique-se de que ninguém passa lá em baixo, tá? No mais, é bom saber que estão fazendo alguma coisa para punir pessoas imprudentes como esse cara aí:

Quer tirar as suas dúvidas sobre a lei anti-Jeremias? Essa matéria do G1 serve para isso.

 

 

Filme: Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)


“LeT’s pUt A sMiLe On ThAt FaCe!”

Quando os filmes do Batman dirigidos por Tim Burton sairam, primeiro em 1989 e a sequência em 92, apesar de todos os equívocos cometidos o Homem-Morcego recuperou em suas adaptações uma coisa que há muito tinha sido perdida: A atmosfera dark, sem “boiolices” (com o perdão do termo) e nem aquele exagero cômico e nonsense que era a série dos anos 60. Chegou o amaldiçoado Joel Schumacher para assumir as rédeas da direção da franquia e trouxe de volta o colorido e absurdos (BAT-CARTÃO DE CRÉDITO?! Ah, vá se lascar…) presentes nas encarnações de Adam West e Burt Ward, coisa que Batman e Batman Returns Tinham feito o favor de eliminar. O Cavaleiro das Trevas (irônico, trevas e os filmes do Schumacher não combinam) nos cinemas parecia morto.

No entanto, em 2005 estreou Batman Begins. Sem relação nenhuma com as produções anteriores, o longa dirigido pelo promissor Christopher Nolan conseguiu aquilo em que nenhum dos anteriores havia alcançado de fato: Trouxe a essência do Batman para a tela grande, mostrou o Morcego como ele é e o que ele representa. Eu não assisti este filme no cinema, apesar de ter esperado muito por ele. Perdi a chance de ver em grande estilo uma coisa que já nasceu ótima, mas que evoluiu para algo excelente. Begins foi um dos filmes que quando eu assisti me fez sorrir, me empolgar.

Três anos de uma espera que pareceu muito maior. Uma das campanhas de marketing mais bem feitas que eu já vi na minha vida (Jim Gondon me ligou! Quantos filmes fazem campanhas tão grandiosas e estimulantes?). Eis que ele estreou… Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). Assisti-o no segundo dia de exibição nacional (19/07) e devo dizer que ele fez jus a todo o “hype” criado, a toda a esperaça de presenciar algo gradioso que foi gerada.

Antes de continuar, devo deixar claro que não sou um crítico de cinema. Talvez algum dia eu me aventure por este ramo, mas não sou. Não tenho formação técnica, não fiz nenhum curso, não assisti clássicos o suficiente e, apesar de tentar ter uma visão crítica de tudo que é posto na minha frente, não tenho a pretensão de ser o dono da verdade, de apontar para algo como um juiz. Sou só um cara que gosta demais de cinema, que tem em lojas como a Americanas um parque de diversões (até acabar o dinheiro… aí é triste) e que curte muito HQs e uma boa leitura. Sou fã declarado do Batman, sua mitologia e seu “nêmesis”, o Coringa.

Pode-se dizer que TDK é um filme completo e vai além da simples proposta de ser um filme de super-herói (alguns vão dizer que o Batman não é “super”. Bom, vamos deixar isso para outro post), fugindo dos clichês do gênero. É uma produção que desperta reação nos espectadores, não sendo como muitos “blockbusters” atuais, tão naturais quanto baunilha. Há ação de qualidade, drama, conflitos, questionamentos, um ar tenso e uma sensação de não saber bem o que esperar em seguida. Uma imprevisibilidade típica e trazida de modo paupável do Palhaço do Crime.

O Coringa. Esqueça o Joker caricato de Jack Nicholson, Heath Ledger conseguiu calar a boca muita gente que chiou quando ele foi escolhido para o papel e mostrou seu valor e entrega como ator. É uma pena que Ledger não esteja vivo para receber toda a ovação merecida e usufruir dos frutos desta atuação que com certeza iria elevar sua carreira a um patamar maior. Seu Coringa é sádico, cruel, psicótico, sarcástico, calculista, desiquilibrado, genial. Os trejeitos, a voz, tudo contribui para realmente crer que ele realmente é, como afirmou, um agente do caos. A busca por escancarar sua idéia da natureza humana e provar a tênue linha que existe entra a sanidade e a loucura, a insanidade fria, calculada e ao mesmo tempo espontânea e inconsequente remetem às melhores histórias do Palhaço e é fácil perceber influências como A Piada Mortal e The Dark Knight Returns.

O Coringa de TDK conta versões diferentes da origem de suas cicatrizes (sua tranformação). Não fica claro se ele faz isso apena para uma “dramaticidade” da situação ou realmente não sabe de onde vem. Nas HQs, ele é considerado como não tendo uma personalidade fixa, possuindo uma série de personas e mudando de tempos em tempos. Essa boa idéia do Coringa contando vários passados remete a uma passagem de A Piada Mortal:

Ledger fez um trabalho espantoso, digno do já tão falado Oscar póstumo, mas a performance dele não é a única brilhante do filme. O Harvey Dent de Aaron Eckhart é retratado de forma muito interessante e o resultado de sua transformação de “Cavaleiro Branco de Gotham” para Duas-Caras é espantoso, muito diferente e infinitamente melhor do que aquela tragédia ambulante do Tommy Lee Jones, que era simplesmente errado. O Two-Faces neste filme tem a frustração de ver seu valores postos a prova, a responsabilidade pelos seu atos em xeque e o que ele mais preza explodir.

Christian Bale mais uma vez é competente. Bruce Wayne tem os conflitos dos resultados de suas ações, a insegurança de não saber se está no caminho certo, o anseio por desejar uma vida melhor para si e para a cidade que jurou proteger. O Batman de Bale é soturno, ameaçador… é o Batman! Apesar das atenções, mais até por parte do público, estarem inevitavelmente voltadas para o Coringa, o Cruzado Encapuzado não fica de escanteio. Ele não é raso e sem ação como o de Keaton em 89 e proporciona um contraste interessante com seu adversário.

A voz cavernosa do Batman é muito boa, apesar de alguns não terem gostado. No filme, além da própria encenação do Bruce Wayne há uma ajudinha tecnológica (isso não é dito no longa, são informações complementares sobre o uniforme) para amplificar sua voz e torná-la assustadora. Nas HQs Wayne também muda de voz quando é o Batman e isso é citado em várias histórias. Eis um trecho de Batman & Filho (roteiro de Grant Morrison):

A mudança de uniforme faz muito sentido. Batman precisa de proteção para enfrentar os bandidos ao mesmo tempo que para fazer isso ele necessita de mobilidade. Agora ele tem mais liberdade para se movimentar e virar a cabeça, a armadura “transpira”.

Em entrevista ao Omelete, Bale fala sobre a melhora com a nova armadura:

Omelete – As filmagens deste filme estão mais pesadas do que Batman Begins?

Christian Bale – Não. Este é o meu terceiro filme com o Chris [Nolan, o diretor], o que já facilita bastante coisa. Mas o mais importante é que nós fizemos muitas mudanças na armadura, e agora consigo me mover muito mais facilmente. E isso é ótimo, pois passo muito mais tempo com ela, já que não temos mais a história de criação do personagem. A antiga, só de ficar de pé já me cansava.

Em certo momento do filme, o Batman usa lentes brancas na máscara. Isso é uma coisa que muitos fãs haviam pedido, mas os visores não fazem parte do visual “fixo” do Morcego. Ainda bem. A aparência pode ser muito legal nos quadrinhos, mas sem um propósito (como foi mostrado) é uma coisa muito desnecessária e não fica muito bem em um filme.

Na seqüência, Batman salva alguns reféns. Eu acredito que as tais lentes tenham contribuído no modo como ele é imaginado depois dos relatos destes. Um homem vestido de negro, com olhos brancos e brilhantes e que derruba várias pessoas com facilidade. O boca-a-boca de algo assim ajuda a dar uma atmosfera sobrehumana para o Batman. A culpa por algumas ações de uma pessoa no filme da qual que o Homem-Morcego acaba levando a responsabilidade também ajuda na fantasia popular de um morcego gigante impiedoso.

É desnecessário falar do Jim Gondon vivido por Gary Oldman. Substituindo a insossa Katie Holmes no papel de Rachel Dawes, Maggie Gyllenhaal traz tempero à personagem, fazendo-a ter uma presença que as limitações de Katie não conseguiram proporcionar. Maggie não é a atriz mais bonita, mas certamente é talentosa e, apesar de muito terem considerado sua performance a mais fraca de TDK, ela não quebra a corrente de boas atuações.

O roteiro é complexo e apesar de pequenos delizes, se desenvolve de forma bem amarrada nas duas horas e meia da película. Há cenas e frases marcantes, mas os diálogos não caem na imbecilidade. Um filme que aborda limites e a falta deles, TDK estabeleceu um novo marco para as produções baseadas em quadrinhos e mostrou que grandes franquias podem e devem ser sinônimos de bom conteúdo.

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“Onde ele consegue aqueles brinquedinhos?”

O Burger King dá uns brindes bem legais. Quando estreou Iron Man, eu peguei o Latinha e o Monge de Ferro. A qualidade dos brinquedos é bem melhor do que muitos caros por aí. Eles também lançaram uma promoção do Batman, e dessa vez eu peguei o Tumbler e o Batsinal.

O Cinemark também está com uma promoção de um copo bem estiloso, eu peguei ele também. Vão algumas fotos:

The Dark Knight

Pena que não dá para ver muito, mas o Tumbler ficou bem legal. Esse Batsinal poderia ter sido mais caprichado. Ele tem uma luz até que boa, mas não espere projetar um morcego na parede

Esse copo é muito detalhado. Além de uma arte legal, tem esse “busto” removível muito bem feito do Batman com o uniforme do Begins

Iron Man

O Monge poderia ser um pouco maior…

“I’m Iron Man”

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LEIA TAMBÉM!:

O Legado do Morcego

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Capas de hoje: Estadão e Folha

Bom, é aquela coisa que a gente aprende desde o primeiro ano de Jornalismo:Dificilmente a imagem em destaque na capa de um jornal corresponde a manchete principal deste. Vejamos duas capas de hoje, dia 08 de julho:

A foto é de um homem que teve o filho de três anos baleado durante uma ação policial no Rio de Janeiro e a manchete fala sobre a data programada para a construção da usina nuclar Angra 3. Seria cômico se não fosse trágico o modo como eles tentaram associar a foto à notícia. O gesto do homem, aparentemente fazendo um número três com a mão, associado à chamada para o texto sobre Angra 3 dá um ar risível para a capa. Uma situação um tanto quanto inapropriada e com certeza de mal gosto, uma vez que a situação vivida por aquele pai não tem muita graça.

A Folha adotou uma capa mais sóbria. A foto ainda é sobre o pai do garoto se lamentando e a manchete desta vez é sobre fome. Fica um ar sério, uma vez que a foto e a manchete não dão brecha para uma associação jocosa.

Estas foram as impressões que eu tive ao bater o olho nas capas. Talvez alguma fato ou detalhe tenha me escapado que me trariam uma interpretação melhor. De qualquer modo, não achei a capa do Estadão de hoje uma escolha apropriada.

A habilidade suprema da Invisibilidade Involuntária

Passar despercebido é uma arte milenar. Os ninjas treinam e se esforçam durante anos para aprimorar suas técnicas furtivas e surpreender o inimigo. Para algumas pessoas, no entanto, não ser notado é uma característica nata, conseguida sem nenhum esforço e que está sempre no modo “ON”. Os agraciados com tal dom, sendo pessoas comuns e vivendo suas vidinhas normais, vêem esta arte involuntária como indesejada em muitas situações. Este que vos tecla é um exemplar destes seres especiais.

É incrível como muitas vezes simplesmente as pessoas não notam minha presença – Esta semana eu fui a um evento em que era servido um coquetel. Eu esta com sede. Peguei a fila. Chegou minha vez, eu olhei para o garçom (por que vocês nunca me atendem direito? Porrr quêêêê???) e pedi um iogurte. Sim, um iogurte. Tinha uma jarra cheia daquela coisa rosa. E o que o nosso amigo servente fez? Pegou uma taça, encheu e deu para uma pessoa que estava do outro lado, justo o lado mais difícil de alcançar. E fez isso de novo e de novo. Eu pedi mais uma vez “aqui, por favor!”. Será que eu falo tão baixo assim? Ele serviu outra pessoa e então acabou a requisitada bebida láctea e ele foi buscar mais.

O rechonchudo rapaz servidor de iogurtes volta. Eu olho para a cara dele. Tinha muita gente em frente a essa tal mesa das bebidas (nossa, como tinha gente lá). Por alguma razão, que eu não sei explicar, os numerosos sedentos também queriam uma taça daquele RELES IOGURTE DE MORANGO. Eu peço novamente e o garçom gordinho com cara de não muito esperto me ignora. Mais uma vez. Serve uma, duas três pessoas – nenhuma delas sou eu. Enfim ele pega uma taça, enche com a tal bebida e pergunta “alguém quer?”. Não! E lá vai ele oferecer para todo mundo que estava lá. Por um instante, parece que ele tentou desviar de mim, mas eu tomei taça da mão dele e fui me satisfazer com meu prêmio. Pena que eu não sentia mais tanta sede…

Eu poderia fazer uma teoria quanto à ineficácia dos garçons quando atendem alguém ou como comumente eles não vão com a minha cara, mas isso é pouca coisa. Simplesmente estar em um lugar e ao mesmo tempo não estar é algo muito mais fascinante. Eu estou andando em uma rua do meu bairro, cuidando da minha vida, vendo outras pessoas cuidar da dela e as tiazonas cuidarem das dos outros. Vejo um conhecido, uma pessoa com quem eu cresci, que sabe quem sou eu. Digo “oi! Tudo bem?” e o indivíduo… Nem percebe?! Ele devia estar distraído com alguma coisa. Nossa, como eu conheço gente distraída! Hoje em dia eu olho para a pessoa e observo se ela olha de volta e esboça alguma reação cordial: ois-tudo-bens não podem ser jogados ao vento assim, para voarem sem destino e baterem em um muro pichado.

Já chegou em algum cômodo da casa e seu familiar deu um pulo e disse “nossa, que susto, menino! Quer me matar do coração, é”? Aí eu até entendo. Eu também já passei por isso e fui o causador deste pânico caseiro muitas vezes. São freqüentes as ocasiões em que quando eu estou com algum amigo, por exemplo, mudo a direção para, sei lá, jogar um papel no lixo e volto para o lado da pessoa ela fala “Ah, você está aí! Você sumiu!”… Eu me desloquei por menos de dez segundos. Estas situações são até comuns para as pessoas, mas no meu caso acontecem frequentemente demais. Tem também aquela situação em que eu entro em uma ambiente e depois de um tempo alguém diz “Você está ai! Não tinha te visto”. Claro que você não me viu, eu sou um ninja nato.

Mais ou menos assim:

Claro, há outras situações. Mas acho que já está bom.

Filmes: Hulk e The Incredible Hulk

HULK ESMAGA!

Bom, no último domingo eu fui ao cinema assistir O Incrível Hulk (The Incredible Hulk). Como esperava, é um filme muito bom e eu estava confiante de que o trabalho com o envolvimento intelectual de Edward Norton renderia bons frutos. A origem do personagem foi mais uma vez alterada nas telonas, mas desta vez faz referências à antiga série protagonizada por Bill Bixby e Lou Ferrigno e a origem do verdão no universo Ultimate da Marvel, ligado ao projeto do Supersoldado que originou o Capitão América. Referências e homenagens a série de TV não faltam, aliás. Há o mesmo melodrama de Banner em busca de uma cura, Bixby em um programa de televisão exibido no Rio de Janeiro (!), a cor dos olhos como o primeiro sinal da transformação iminente, Lou Ferrigno fazendo uma ponta divertida e a voz do Hulk e… A música tema do seriado.

Ferrigno, coincidentemente ou não, faz novamente o papel de um segurança em um filme do Golias Esmeralda que ele próprio já interpretou. Sim, a primeira vez foi no Hulk de 2003, dirigido por Ang Lee, que na minha opinião é tão injustiçado e incompreendido quanto o monstrengo verde. Ambos os filmes têm seus defeitos e suas vitudes. Eu gosto dos dois e não consigo definir qual prefiro. A produção de 2003 teve uma abordagem diferente e ousada nas mãos de Lee. Sem um vilão realmente marcante como o Abominável, o filme foca mais o lado humano dos personagens (ou pelo menos, do protagonista), o trauma sofrido por Banner que o leva a ser uma pessoa contida e liberar todo o seu ódio na forma de um gigante verde. A explicação para tal mudança foi elaborada de um modo mais complexo e, eu diria, plausível.

Engraçado é que nos dois filmes há o envolvimento clássico da radiação Gama na criação do Hulk, mas a mudança resulta de pesquisas de aprimoramento da capacidadade humana (por coincidência, o Duende Verde no filme do Homem Aranha também é criado por um experimento de aprimoramento…). Percebe-se aí que mesmo a nova adaptação não sendo uma sequência direta da anterior, as duas meio que se relacionam, como se o trabalho dirigido por Louis Leterrier fosse uma evolução em alguns aspectos.

As CGs estão mais convincentes na nova versão. Mas independente de qual filme, eu não entendo a razão de tanta gente reclamar da computação gráfica. Sempre vai ser artificial, óbvio, então é isso ou colocamos o memorável Ferrigno pintado de verde novamente. A vantagem que O Incrível Hulk ganha em efeitos especiais, perde em edição quando comparado ao de Ang Lee. Neste, há um trabalho primoroso de transição de cenas inpirado nos quadrinhos, com a tela se dividindo em quadros e mostrando uma mesma cena de mais de um ângulo. A sensação é de estar vendo uma HQ realmente em movimento.

A ação foi favorecida no trabalho de Leterrier. Ao que parece, o filme seria mais dramático do que a versão final, mas a pressão da Marvel levou para outro caminho, para desgosto de Edward Norton. Leterrier conta que há cerca de 70 minutos de cenas que não entraram no filme. Se lançarem uma edição de DVD com todo este material extra, será excelente. Independente do que foi cortado, o trabalho foi competente na construção do universo do personagem: O gigante fala sua famosa frase “Hulk esmaga!”, há referências a outros heróis e a histórias do verdão. Tony Stark, o Homem de Ferro, aparece no filme.

Eu tinha dúvidas quanto a Norton se encaixar bem no papel de Bruce Banner, apesar de ser ótimo ator, pelo fato de ter considerado a atuação de Eric Bana no papel excelente. Para a minha alegria, ele incorporou o personagem tão bem quanto, em certos momentos até lembrando Bixby. Em suas propostas, The Hulk e The Incredible Hulk são filmes bons e competentes. O último traz grandes possibilidades, graça a produção da própria Marvel.

Hulk ( 2003 )

Prós:

- Psicológico do Banner bem explorado;

- Há o pulo que o Hulk dá para atingir longas distâncias;

- Boas atuações, ótimo Banner;

- Edição primorosa;

- Ponta do Lou Ferrigno;

- Tinha uma abordagem interessante.

Contras:

- O baixo orçamento limitou as cenas de ação;

- Falta um vilão realmente marcante que não o papai;

- Podia ter mais elementos dos quadrinhos;

- O monstrão não é “oficialmente” batizado de Hulk;

- Não tem o “Hulk esmaga”.

* Não cito a CG porque realmente não achei a tragédia que muitos dizem.

O Incrível Hulk ( 2008 )

Prós:

- Muitos elementos dos quadrinhos e do Universo Marvel em geral, inclusive com a presença de Tony Stark;

- Referências e influências do antigo seriado;

- Ponta bem humorada do Lou Ferrigno;

- Hulk Esmaga!”, “Betty…”;

- Boas atuações, ótimo Banner;

- Abre um leque de possibilidades.

Contras:

- A transformação parece estar mais ligada a qualquer estresse emocional e exaltação e não especificamente à raiva. O Banner não pode nem se “empolgar” demais (Nos quadrinhos, ele já foi casado com a Betty. Se essa regra valesse lá também, tadinha dela);

- Brasileiros-gringos que tiveram que ser dublados devido ao portunhol;

- Faltou uma trilha sonora realmente marcante em momentos de ação.

Hulk fica mais forte de acordo com sua raiva. No filme de Ang Lee, ele era gigantesco e crescia mais ainda quando se irritava.

Hulk fica mais forte de acordo com sua raiva. No filme de Ang Lee, ele era gigantesco e crescia mais ainda quando se irritava

De um fisiculturista pintado de verde, agora o Golias Esmeralda é representado por computação gráfica.

De um fisiculturista pintado de verde, agora o Golias Esmeralda é representado por computação gráfica

Moto-maloqueiros

Eles são uma subespécie que provavelmente você vê todo dia, exceto se não sai de casa e não tem nenhum contato direto com um exemplar. Fazem parte de uma espécie maior, que é o terror de quem transita por esta cidade de meu Deus dentro de uma máquina de quatro rodas. Eles também se locomovem em máquinas com rodas. No caso, duas. Quando chega a noite, eles se reúnem com seus brinquedinhos acompanhados das piriguetes também rodadas e desocupadas, com o único intuito de fazer barulho, exibir a extensão motorizada de sua masculinidade frustrada e locomoverem-se do nada para o lugar nenhum. Eu os apelido carinhosamente de “moto-maloqueiros”.

Meu bairro é um reduto peculiar desta expressão de raro valor da cultura humana. Depois de um dia qualquer de trabalho e estudo em que eu encontro minha namorada, deixo esta em casa e me dirijo para a minha, querendo usufruir de um merecido sono. A rua está cheia de gente. Não importa se é segunda-feira, sexta ou domingo: a rua está cheia. Raro que não. Barulho de motor, funk executado por um maravilhoso celular, comentários ecandalosos dos meninos, risos histéricos das meninas.

Não estou sendo preconceituoso, estou sendo analítico. O grupo de pessoas barulhentas que cito é formado por muleques e menininhas sem cabresto que em sua vida diurna trabalham exclusivamente para bancar a prestação da motoca, a gasolina desperdiçada inutilmente, bebidas e baladas maneiras, cheias de azaração, sapinhos e inconsequência. Eles só querem se divertir, óbvio. Eles só pensam nas cocotas. O futuro se resume a um emprego que exige pouca formação e garante o capital para sua rotina promissora.

Cresci no meu bairro, conheço as pessoas de lá. Sei que a maioria saiu da escola sem saber escrever uma frase sequer de forma coerente. Sei que para muitos o futuro é uma farra e se a “mina” atual embuchar, é só fazer um puxadinho sem reboco na casa dos pais e juntar os trapos que está tudo certo. Aí vem as brigas. Os dois não conseguem olhar um na cara do outro e vivem se separando e voltando. Quem sofre é o rebento, que cresce em um lugar desajustado, com maus exemplos e pouca orientação.

O que eu observo é: Enquanto eu caminho pela rua, passa um ser descolado em sua motoca com um outro cara também descolado, mas que não teve a graça divina de possuir uma moto só sua, na garupa. O que é estranho, considerando que no local em que eles se reúnem há meninas e seria supostamente preferível para o motoqueiro que uma delas estivesse agarrando-o em cima da moto em vez de outro mancebo. De qualquer modo, os dois dão a volta no quarteirão… uma, duas, três vezes. Que batuta, que legal. Acho que eles não dormem. Ou pelo menos, não acordam cedo, visto que o horário em que eu vejo este pessoal em plena atividade é entre 23h40 e 0h00.

Muitos não usam a moto para trabalhar. Gostam mesmo é de reunir os amigos e ficar empinando o veículo em alguma rua vazia. Isso quando não fazem racha. Claro, ele foi feito para isso, não foi? “Olha só o que eu sei fazer!” Incrível, esse cara manja muito. O Vital, pelo menos, comprou uma porque achava que andar de ônibus era o fim. A vida, a juventude é para ser aproveitadada, claro. Podemos e devemos nos divertir, mas a partir do momento em que uma pessoa cresce, as responsabilidades aumentam junto com a autonomia.

Um espécime destes estava todo feliz, alegre e saltitante porque conseguiu comprar sua motocicleta. Mas, por ser um menino pobre e que iria se matar para pagar seu novo brinquedo, resolveu não fazer o seguro deste. Com uma semana de uso, ele saiu para pagar de gatinho motorizado por aí e sua máquina-de-pegar-mulher foi roubada. Moral: não fez seguro, agora vai ter que pagar uma coisa que não tem mais. Não adianta querer ter um objeto para obter “status” se não tem nem dinheiro para bancá-lo. É burrice.

Crescer e se julgar dono do nariz deveria ser acompanhado obrigatóriamente do bom senso, que faz uma pessoa enxergar que um meio de transporte serve, como o nome já diz, para transportar a pessoa de um lugar ao outro e que, não importa quem seja, é patético sair pagando de bonzão por conta de um bem material. Ainda mais quando nem se tem dinheiro para sustentar qualquer coisa além dele. Há muitas prestações ainda para pagar, eu seria mais cuidadoso.

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